30/06/2016
Provavelmente será possível associar a acumulação do capital nacional-transnacional, destrutiva e – militarizada !, com as ações terroristas no planeta.
E elas, agora, ocorrem na Turquia, cujos limites geográficos, são bastante estratégicos.
Se eu considero o mundo como um grande tabuleiro de xadrez, a visão da totalidade de suas casas e a posição de suas peças é fundamental para se chegar ao rei.
Porque a crise estrutural do capital já abrange todo o “tabuleiro”, é geral, global, permanente e irreversível.
Mais do que isso, ela anteciparia a “vitória” política do capital nacional-transnacional sobre a Rússia e a China, outra formas de produção, colocando em Moscou e em Pequim assessores locais de Washington.
Porque, sabemos, não podemos dissociar Estado, capital e trabalho, no momento a hegemonia do poder capitalista.
Ao nos debruçarmos sobre o mapa da Turquia, constatamos que ela apresenta fronteiras para o mar Negro e o Mediterrâneo, ligados pelos canais de Dardanelos e Bósforo. Do outro lado, ela faz fronteira para oito Estados-nação daquela região conflagrada !
Bem, se eu puder olhar o tabuleiro no tempo de uma “jogada”, tenho a vantagem de saber onde o capital quer chegar e como ele progride agressivamente.
Há muita coisa no caminho e ele se desfaz do que impede a sua acumulação. Não que ela envolva a perseguição do alvo, mas o seu avanço inexorável decorre da natureza de sua forma de reprodução centrífuga.
Como se, a meio caminho, ele “descobrisse” no horizonte a redondeza da Terra e a implicação concreta dos seus limites absolutos. Uma OTAN que chegue, do outro lado da Terra, ao mar da China!
Já o terrorismo envolve a passagem da acumulação do capital pelos países petrolíferos, mas onde não estancará em sua expansão de livre mercado.
Ao se tentar identificar os agressores do aeroporto turco, encontra-se que não houve ainda reivindicação de responsabilidade. Mas, qualquer que seja ela, será secundária à concepção mais profunda da acumulação do capital. Como se o terror pudesse ter várias faces e muitas racionalizações alienadas.
Temo que não se possa fugir, ainda hoje, aos estudos de Rosa Luxemburg, quando não só aprimora e atualiza a obra de Marx sobre a acumulação do capital, então já nas “últimas áreas não-capitalistas”, como a sua segunda alternativa histórica, pela 1ª Guerra Mundial : “Socialismo ou barbárie”.
Mesmo a singularidade do atentado em Istambul, não deixa de caracterizar a barbárie e nos estimular a conceituá-la, agora, pela crise estrutural do sócio-metabolismo do capital que vem dos anos 70, como escreve Mészáros.
É mais um passo do capital em sua globalização perversa e armada, mas já pelos estreitos turcos do Tratado de Montreaux.
Não estamos vendo a luz no fim do túnel, mas nos perceberíamos num beco sem saída. Caso não se opte pela socialização.
Seria assim ?
Fernando Neto

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