domingo, 3 de julho de 2016

Contra o "manequim da Ducal"

A judicialização da política, e do Movimento Sindical, intensificou-se nos últimos 10 anos, até chegar aos termos exagerados de nossos dias. 

Apesar da Constituição Federal em seu artigo 8º garantir a liberdade sindical, vedando ao Poder Público, intervir e interferir na organização sindical, sindicatos são multados (em milhões) por fazerem greves; proibidos, por vezes, de se aproximarem a 100 metros dos portões de empresas onde o patrão garante o livre ingresso da pelegada "fura greve"; condenados a devolverem contribuições aprovadas por assembléias gerais aos colarinhos brancos e outros nem tão brancos assim; trabalhadores do transporte público obrigados a “furarem” a própria greve obrigados a trabalhar nos horários de pico, e assim por diante. 

E isto, apesar da Constituição garantir a liberdade sindical. Imaginemos, então, se ela fosse omissa a respeito o que não aconteceria?

Nosso sistema eleitoral, por outro lado, em nada contribui para o fortalecimento da organização partidária. Ainda bem que, recentemente o STF proibiu o financiamento empresarial de candidatos. Tal financiamento favorecia que os patrões contribuíssem, "à tripa forra", para os candidatos, claro desde que, votassem os pleitos deles no Congresso, pois, se não o fizessem, ficariam sem tal contribuição nas próximas eleições. E eles então faziam, e ainda, fazem, "tudo que seu mestre mandar"...

Porém, se as eleições de dessem mediante lista partidária, ou seja, o eleitor não votaria no candidato, mas no Partido, tais manobras iriam para o "vinagre". Votando em lista, o eleitor estaria votando não numa cara bonita ou bem vestida, não num "manequim da Ducal", mas num Programa Partidário que lhe seria apresentado. A discussão política sempre e, especialmente no período eleitoral, estaria voltada para os problemas sociais, trabalhistas e nacionais. Nada de Mané versus Joaquim. Mas, até parte razoável dos parlamentares petistas é favorável ao sistema "manequim da Ducal". Lamentável, posto que, de alguns anos para cá passaram a pagar preço caro por isso. Será que já se deram conta disso?

Diante da fraqueza, e desmoralização da política provocada pelas campanhas da Mídia Pinóquia, Globo à frente, a política e os partidos caem de prestigio a cada dia que passa, favorecendo aí, o processo crescente de judicialização da política. Ou seja, o MP e o Judiciário passam a dar as cartas, apesar de não terem voto algum, em detrimento dos eleitos pelo povo. 

Exemplos de tais deformações é o prestígio conquistado no passado pelo Juiz Joaquim Barbosa que já caiu em desuso, felizmente. Porém, substituído por um juiz singular, Sérgio Moro, badalado 24 horas por dia pela Globo e seus parceiros. Se o Moro for realmente esperto ficará fora disto, posto que, quando não mais interessar à Mídia, como parece estar próximo a ocorrer, irá, como Barbosa, para o desvio do esquecimento.

A vilanização da política promovida pela mídia destina-se a colocar em segundo plano, ou afastar da ordem do dia, a discussão que interessa ao Brasil, ou seja, os seus problemas sociais, a educação e a saúde, as questões trabalhistas e sindicais, a defesa dos interesses nacionais, etc. E, convenhamos, nos últimos 10 anos ela vem conquistando seu objetivo.

Se não discutimos os interesses do povo e da nação, essa discussão será substituída por Moro versus Bolsonaro, e outras do jaez. Lamentável, mas se o Movimento Sindical e Popular não agirem com firmeza, diuturnamente, a situação ficará muito mais difícil do que estaríamos pensando hoje!
José Augusto Azeredo



Tags: sistema eleitoral, financiamento privado de campanhas, STF, Mídia, parlamentares, voto em lista, vilanização da politica 


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