07/07/2016
Cansativo, prossegue o embate entre os golpistas e os partidários da presidente afastada.
Porque não se chega a qualquer conclusão, mas persiste-se num diálogo de surdos.
O “impeachment” é considerado processo jurídico-político, citam de Paulo Brossard.
Ora, se é técnico, não seria possível permanecer a aporia jurídica. Então, conclui-se : mantém-se assim, porque é político.
Ao adotar-se, porém, qualquer “parcialidade” quanto a ele, sabe-se que não se pode julgar acima da luta de classes, atendo-se à legalidade a qualquer custo.
Além disso, desenvolve-se a má-fé !
Como se pode raciocinar entre capital e trabalho, então em antagonismo, colocando-se ao lado do primeiro ?
Existe a política ? Se ela é a arte de gerir a nação, um povo que abrange burguesia e os proletariados da cidade e do campo, teríamos que considerar o “conjunto da obra” do capital hegemônico e infiltrado em todo o canto. Ele sim é que desenvolve o tal “ projeto criminoso de poder”, e não a esquerda, que apenas chega ao governo, não ao poder.
Nunca, como agora, com a esquerda no governo, apareceu a corrupção. Apareceu, não foi gerada necessariamente por ela.
O êxito da justiça, porém, não substitui as reformas parlamentares, mas devem ser coincidentes com elas.
A extensão demasiada do policial, caracterizaria duas possibilidades de extremização ! Mas a que nos ameaçaria não seria a da “ditadura do proletariado”*, eventualmente oportuna, mas o filme já visto e revisto das arbitrariedades fascistóides a mascarar o avanço do capital nacional-transnacional em seu círculo vicioso.
E a crise político-econômica deve ser constantemente avaliada, internacionalmente, já que, agora mesmo, confrontam-se os candidatos à presidência dos EUA às eleições em Novembro.
Seis por meia dúzia, contudo, são acionistas e acionistas.
Tais implicações nos devem lembrar a natureza midiática do golpe, quando as notícias configuram o pregão de bolsas eleitorais a apostar no possível, nem sempre no provável...
A mídia como o pregão, não o pregão como a mídia, a gerenciar o capital até Novembro, a refletir-se sobre o destino do mundo através do capital financeiro especulativo. Trilhões de dólares lá pelo Brexit, concomitantemente. Lembrando, ainda, os tratados de parceria no Pacífico e Atlântico.
A profunda devoção com que o governo interino está dedicando às suas ações transformadoras, ao dificultar a volta da presidente legitimamente eleita, é que poderá justificar o plebiscito por novas eleições.
Para tanto, espero que a esquerda orgânica, que combate bravamente os golpistas, esteja preparada para o que possa vir por aí. Renovando os votos.
Sempre com Dilma!
Fernando Neto
PT RJ º 1741303
• “Democracia do proletariado”, segundo Pollitzer, opondo-se à nossa “ ditadura da burguesia”. Na democracia, fazem-se reformas.
Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro

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