quarta-feira, 2 de abril de 2025

A insuperável podridão das classes dominantes ocidentais

Israel continua genocídio em Gaza (Foto: Reuters)

Os verdadeiros responsáveis pelas guerras e outras desavenças entre os grupos humanos costumam ser suas classes dominantes


02 de abril de 2025, 14:52 h

Desde que a história dos seres humanos começou a ser retratada com base em estudos amparados em dados confiáveis, as classes dominantes de origem europeia vêm despontando como o que de mais sórdido e nefasto a humanidade já gerou.

Não pretendo de modo algum dar a entender que as elites de poder dos povos não ocidentais se caracterizam por sua pureza e bondade. Esta, absolutamente, não é minha intenção. O que estou procurando destacar é o insuperável nível de crueldade e insensibilidade daqueles que têm estado no comando das rédeas das nações de extração europeia, em contraposição ao que ocorre em todos os demais grupos humanos.

Inegavelmente, em todas as oportunidades em que forças vindas de outras partes avançaram sobre regiões já habitadas por outros grupos humanos, os resultados sempre foram de fortes sofrimentos para os povos subjugados. Contudo, as desgraças provocadas pela expansão ocidental ao redor do planeta ultrapassam em muito toda a perversidade que temos conhecimento de ter sido praticada ao longo da história.

Tão somente com um breve repasso da presença usurpadora das forças do Império Romano naquele lugar que hoje denominamos de Oriente Médio, ficam evidentes as marcas deste desrespeito ao direito de os povos continuarem vivendo nos territórios que tradicionalmente já ocupam há muito tempo. Estamos nos referindo exatamente àquela região associada à figura de Jesus, cujos nome e simbolismo costumamos respeitar e valorizar.

Por que as legiões de um Império sediado na Europa Ocidental deveriam comandar os destinos de terras localizadas em outro continente e habitadas por povos que nada tinham de europeus? A resposta a esta indagação nos remete aos primórdios do conceito que atualmente designamos como colonialismo. Assim, a grosso modo, podemos estabelecer nesta etapa os marcos iniciais do expansionismo europeu, que nos afeta negativamente até os dias atuais.

Convém recordar que, para exercer seu domínio sobre aquelas pessoas que nada tinham a ver com a etnia e a cultura romanas, as forças colonialistas se aliaram aos setores das classes dominantes locais. Estas, por sua vez, recorriam à manipulação da religião para garantir a manutenção de seus privilégios. Devemos ter sempre em conta que as práticas de Jesus representavam uma luta ferrenha em favor das classes mais humildes, com o propósito de ajudá-las a sair do estado de penúria em que eram forçadas a viver.

Assim, é também de muita relevância que não nos esqueçamos do fato de que ele foi preso e executado por soldados ocupantes romanos por orientação dos líderes religiosos locais de então. Isto explica a razão pela qual a adesão a suas pregações tenha surgido e se desenvolvido inicialmente entre as massas de gente humilde, e não entre as camadas ricas e poderosas. Por então, seus seguidores tinham de se reunir às escondidas, para fugir das perseguições das autoridades romanas e dos líderes do judaísmo oficial.

A partir das experiências desenvolvidas nessa etapa inicial, as classes dominantes romanas aprimoraram sua destreza em manipular os conceitos e as palavras para, desta maneira, usá-los em favor de suas ambições e seu egoísmo. Tanto assim que foram capazes de se apoderar do legado de Jesus, de modo a atribuir-lhe um significado diametralmente oposto ao de seus propósitos originais.

Como já expusemos mais acima, a pregação do Nazareno se caracterizava por seu desejo de defender as causas dos setores sociais mais carentes e explorados. Entretanto, os representantes dos interesses imperiais e colonialistas das classes dominantes ocidentais se dedicaram a falsificá-lo e deturpá-lo com o objetivo de torná-lo um poderoso instrumento para reforçar sua hegemonia sobre as massas populares e para facilitar sua devastadora expansão sobre todas as demais nações de todos os outros continentes.

Foi assim que, apesar de que seu intuito original era atender e socorrer os mais necessitados, a figura de Jesus foi alvo de um monstruoso processo de manipulação. Com isto, produziu-se uma completa metamorfose, da qual surgiu uma ideologia político-religiosa que desempenharia um papel fundamental na expansão do colonialismo europeu: o cristianismo.

Desta forma, o cristianismo se tornou uma portentosa arma destinada a subjugar e exterminar povos e nações ao redor do mundo, com vista a fazer prevalecer os interesses materiais do colonialismo ocidental. Portanto, é muito importante que tenhamos em mente que essa religião, criada e impulsionada pelas classes dominantes ocidentais, nada tem a ver com aquele de cujo nome ela se aproveita. Na verdade, o que se consolidou desde sua elevação à categoria de religião oficial do Império não foram as pregações e os ensinamentos daquele que perambulava entre os setores populares da Palestina de seu tempo, senão que sua desvirtuação completa, com a perda das bases humanitárias que lhe serviam de sustentação.

Foi com base nesta ideologia inteiramente contrária ao legado de Jesus, mas recorrendo fraudulentamente a seu nome, que as classes dominantes ocidentais se lançaram à empreitada que veio a representar o maior morticínio já causado entre os seres humanos por outros seres humanos. Em decorrência, nas Américas, na África, na Ásia e na Oceania, as classes dominantes da Europa Ocidental assassinaram milhões e milhões de pessoas, exterminando quase que por completo inúmeros povos, nações e culturas, em genocídios de proporções inimagináveis.

Embora a presença do flagelo da escravidão possa ser detectada em várias situações há muito tempo, tão somente as classes dominantes europeias a transformaram num modo de produção aplicado de forma generalizada para fins de obtenção regular de lucros comerciais. Decididamente, a estruturação da economia com base no trabalho escravo é mais uma das criações desses que gostam de se apresentar como o símbolo do melhor da humanidade.

No entanto, a perversidade das classes dominantes do chamado mundo ocidental estava longe de se haver esgotado após a consecução dos abomináveis crimes de genocídio levados a cabo nessa fase em que predominaram o colonialismo e a escravidão. Ainda havia muito ódio e ignomínia a demonstrar. E as classes dominantes de extração europeia se esmeraram para provar que eram capazes de se superarem, como de fato o fizeram. Entre as outras obras primas das classes dominantes ocidentais de origem europeia podemos citar o apartheid, o nazismo e o sionismo.

O apartheid, que desgraçou a vida de milhões de africanos, foi levado à África por iniciativa das classes dominantes holandesas. Em seu afã de se apropriar das riquezas do continente africano e abusar da exploração da mão de obra de seus habitantes autóctones, os colonizadores europeus edificaram um dos sistemas mais horripilantes de discriminação de cunho racial. Foram necessárias várias décadas de luta e sofrimento para que esse produto da maldade pudesse ser derrubado. Mesmo assim, seus efeitos maléficos se estendem até nossos dias.

Já o nazismo é um genuíno fruto dos que gostam de ser tomados como o suprassumo da civilização europeia e, devido a isto, de toda a humanidade: as classes dominantes germânicas. Com o nazismo, os grandes capitalistas alemães e de várias outras nações europeias deixaram evidente que não há limites para a prática de atrocidades contra outros seres humanos. No intuito de combater os possíveis riscos para a manutenção de seu domínio social, os paladinos da defesa dos interesses do grande capital na Alemanha e em outros países da Europa não hesitaram em desenvolver as técnicas para causar a morte e o sofrimento em escala industrial. Os campos de concentração e os fornos da morte do nazismo também foram gerados por mentores das classes dominantes ocidentais de pura cepa europeia.

E, quase que como uma síntese cumulativa de todas as perversões gestadas por iniciativa das classes dominantes europeias, temos atualmente o sionismo. Esta ideologia a serviço do grande capital também é cem por cento de origem europeia, sem ter absolutamente nada a ver com os antigos povos hebraicos que habitavam a região do Oriente Médio no passado. O sionismo é algo equivalente ao nazismo, com a diferença básica de ter sido propulsionado por ideólogos europeus com vinculações pretéritas a gente que professava o judaísmo.

O sionismo incorpora em sua essência o espírito do colonialismo, do apartheid e, em consequência, do nazismo. Suas maiores vítimas diretas são os povos que já habitavam a região da Palestina há milênios, os quais têm sofrido um intenso processo de perseguição, usurpação e extermínio, que visa instalar em suas terras os colonos europeus e seus descendentes, que foram para lá conduzidos pelos movimentos sionistas formados na Europa.

A crueldade praticada contra a indefesa população palestina pelas forças militares e paramilitares a serviço do sionismo europeu não deixa margem para dúvidas de que os sionistas assimilaram à plenitude a podridão produzida pelas classes dominantes ocidentais ao longo dos séculos.

Porém, é muito importante que não nos deixemos levar por uma falsa percepção. Os grandes inimigos da humanidade não são os povos europeus, e sim suas classes dominantes. As massas populares dos países da Europa são, na verdade, importantes aliados de suas contrapartes dos países periféricos. Os movimentos e partidos dos trabalhadores europeus, assim como seus teóricos, deram contribuições inestimáveis em favor dos processos de emancipação das classes trabalhadoras do mundo inteiro. Com eles, aprendemos a valorizar o sentimento do internacionalismo proletário e a busca pela unidade dos povos.

Por isso, é muito gratificante constatar que as lutas dos povos vítimas do colonialismo e imperialismo originados nos centros oligarcas do Ocidente têm contado com o apoio resoluto de movimentos de massas populares nos países europeus, assim como nos Estados Unidos. Isto se mostra ainda mais evidente nos cruciais momentos que estamos atravessando. Em protesto contra o genocídio que as forças armadas do sionista Estado de Israel estão cometendo contra o povo palestino, estão ocorrendo amplas mobilizações de massas nas principais cidades da Europa. E ainda mais reconfortante é constatar uma nutrida e intensa participação nas mesmas de pessoas de ascendência judaica, o que ajuda a corroborar a compreensão de que judaísmo e sionismo não são para nada equivalentes.

Para que não subsista nenhuma incompreensão, ser judeu e ser sionista são coisas muito diferentes. Assim como não podemos estender a pecha de nazista ao conjunto dos alemães, o termo sionista não pode de maneira nenhuma ser empregado para designar a todos os que se identificam como judeus.

Em resumo, tudo o que expusemos nas linhas anteriores tem por objetivo ressaltar a compreensão de que todos os povos do mundo podem e devem viver em solidariedade e harmonia. Os verdadeiros responsáveis pelas guerras e outras desavenças entre os grupos humanos costumam ser suas classes dominantes, ou seja, aqueles setores que vivem à custa da exploração do trabalho dos restantes. Dentre os exploradores, os que mais têm se destacado negativamente ao longo do tempo são as oligarquias formadas nas nações ocidentais. Embora estas pretendam atribuir-se a qualificação de modelo exemplar a ser seguido por todas as demais, representam de fato a podridão maior já atingida pela humanidade.




Jair de Souza

Economista formado pela UFRJ mestre em linguística também pela UFRJ



Brasil 247

terça-feira, 1 de abril de 2025

Financismo x indústria

Gabriel Galípolo e Roberto Campos Neto (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
 

Saída de Campos Neto da direção do BC não mudou em absolutamente nada a gestão das políticas e das atribuições do banco. Galípolo manteve a Selic nas alturas


01 de abril de 2025, 12:13 h

A sequência contínua de elevações da taxa referencial de juros tem colocado, mais uma vez, os holofotes dos analistas sobre os mecanismos de funcionamento do Comitê de Política Monetária (Copom). Afinal, ao longo das últimas cinco reuniões do órgão, a Selic foi sistematicamente aumentada, saindo de 10,50% em setembro de 2024 para os atuais 14,25%. O detalhe é que durante este período deu-se a troca de comando na diretoria do Banco Central (BC), com a posse de Gabriel Galípolo como presidente do banco no lugar de Roberto Campos Neto. Além de promover esta importante substituição, o fato é que sete dos nove diretores da entidade são nomeações feitas por Lula em seu terceiro mandato. A tragédia anunciada é de tal ordem que a ata da reunião mais recente do colegiado aponta para a necessidade de novas elevações nos próximos encontros.

No entanto, o que se tem visto é a continuidade da política monetária implementada pelo indicado por Paulo Guedes e Bolsonaro e que foi nomeado para o cargo logo em fevereiro de 2019. Graças ao golpe previsto na Lei Complementar nº 179 de 2021, que estabeleceu a independência do BC, o neto de Roberto Campos ficou no posto até o final de 2024. Apesar de todas as críticas a ele endereçadas pelo novo presidente da República, o fato é que a sua saída da direção do órgão não mudou em absolutamente nada a gestão das políticas e das atribuições do banco pelo novo Presidente. Galípolo manteve a política monetária de Selic nas alturas e não alterou uma palha na sistemática de consulta ao “mercado” por meio da pesquisa semanal Focus.

Diante de tais condições, o governo perdeu qualquer credibilidade em suas eventuais críticas ou desacordos com a política do austericídio. O Ministério da Fazenda segue com sua obsessão por corte de despesas e respeito absoluto ao sacrossanto Novo Arcabouço Fiscal. Isso ocorre ao mesmo tempo em que o BC mantém o Brasil dentre os primeiros lugares no campeonato de taxa real de juros mais elevada do planeta. Ora, como a gestão de Galípolo segue fazendo cara de paisagem frente aos escandalosos “spreads” praticados pelo oligopólio da banca privada, os custos de operações de crédito e empréstimo seguem sendo inviáveis para qualquer tipo de atividade empreendedora no setor real da economia.

Neoliberalismo: quatro décadas contra a indústria - Isso significa que a esperança de uma mudança efetiva nos fundamentos da política econômica neoliberal, em operação desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, continua sendo frustrada a cada novo dia que passa. Seguem valendo as diretrizes do programa contido no documento/manifesto “Ponte para o futuro” apresentado em 2015 pelo MDB às elites como garantia de que o meio mandato de Michel Temer no Palácio do Planalto seria orientado para estratégias como privatização, austeridade fiscal e liberalismo econômico extremo. E assim vieram, por exemplo, o Teto de Gastos por meio da PEC 95 e o sucateamento da Petrobras. A austeridade foi incluída no texto constitucional proibindo aumento de despesas orçamentárias por longos 20 anos. Já a empresa estatal do petróleo teve sua política de preços redefinida por meio de um alinhamento automático com o preço do óleo bruto no mercado internacional.

Esse menu neoliberal todo aprofundou o processo de desindustrialização de nossa economia, tendência que vinha se verificando desde o início da década de 1990. Além do custo financeiro elevadíssimo, também contribuía para reduzir o interesse das empresas em aumentar sua capacidade produtiva do lado real da economia a política deliberada de valorização cambial. A busca frenética por atrair recursos financeiros especulativos na esfera internacional era concretizada pela rentabilidade absurda oferecida ao parasitismo financista. Assim, a contradição entre o rentismo e a produção industrial seguiu sendo solucionada pelo favorecimento dos interesses do financismo em detrimento do estímulo ao setor secundário.

Não obstante a conhecida e reconhecida importância estratégica que representa a atividade industrial como elemento gerador de maior valor agregado na escala produtiva, a orientação dos sucessivos governos tem sido a manutenção do foco na austeridade e no juro elevado. A relevância crescente assumida pelo agronegócio exportador e pelo modelo de incentivo à venda de “commodities” no mercado internacional transformou a economia brasileira em um grande ator especializado na produção e exportação de bens agropecuários e minerais de baixo impacto positivo para o conjunto de nossa sociedade.

Reindustrializar é o caminho - Um dos principais argumentos apresentados pelos defensores deste verdadeiro atraso secular no desenvolvimento de nossas forças produtivas reside na comparação internacional, ressaltando as supostas virtudes do processo vivenciado por parte dos países desenvolvidos. Assim, a revolução tecnológica e a emergência da economia do conhecimento teriam provocado uma perda relativa da participação da indústria naquelas nações. O fenômeno é real, mas o ponto a ser destacado é que, naqueles casos, o que se observou foi uma substituição da economia industrial por atividades de maior valor agregado ainda, supostamente no setor ainda classificado como “serviços”. No caso brasileiro, o crescimento ocorreu em áreas como telemarketing, entregas por aplicativos e outras, todas caracterizadas como sendo de baixíssima capacidade de agregação de valor.

A indústria brasileira perdeu capacidade interna e internacional. O consumo interno de bens manufaturados foi direcionado para a importação e as nossas empresas perderam praticamente toda e qualquer possibilidade de concorrência com o resto do mundo. O gráfico abaixo exibe com toda a clareza o drama da desindustrialização que vem acompanhando a economia de nosso país. O crescimento inicial ocorre ao longo das décadas de 1950 e 1960 com a instalação do complexo da Petrobras e do sistema estatal da siderurgia, vindo em seguida a implantação do parque da indústria automobilística. Depois do golpe de 1964, o Brasil assistiu ao crescimento das atividades econômicas de uma forma geral – o período do chamado “milagre econômico”. Ali foi atingido ao ápice da participação da indústria no PIB, período em que o indicador que se aproximou de 30%.



O ingresso na década de 1990 marca o início da ladeira abaixo neste quesito. As medidas visando a liberalização desenfreada patrocinadas pelo presidente Collor expuseram, subitamente e sem planejamento algum, a economia brasileira à concorrência internacional. Este foi o primeiro choque de perda de importância relativa da indústria. É o momento de substituição ampla e generalizada dos manufaturados nacionais pelos importados. Em seguida, a política de ajuste macroeconômico derivada do Plano Real, a partir de 1994, impôs um regime de câmbio valorizado artificialmente, em função do afluxo permanente de recursos especulativos na esfera internacional, em busca da elevada rentabilidade financeira oferecida por aqui. A taxa oficial de juros se mantinha em níveis elevados e tal fato contribuía para reduzir os estímulos à atividade produtiva no setor real da economia.

Produção vs rentismo - A propósito do tema foi lançado recentemente um importante livro, “Produção versus Rentismo – Trabalhadores e empresários pela reindustrialização do Brasil”, organizado por Carlos Pereira. O material da publicação é fruto do Seminário Nacional pela Reindustrialização do Brasil, realizado na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em 11 de junho de 2024, e reúne entrevistas com representantes dos empresários e dos trabalhadores sobre os caminhos para se reverter o processo de estagnação econômica que há décadas sufoca o setor produtivo brasileiro e o desenvolvimento do país.

A tragédia da desindustrialização é tão profunda e atinge tantos setores da nossa economia e da nossa sociedade que a busca por uma ampla frente em defesa da reindustrialização torna-se uma tarefa fundamental. Cada vez mais os ramos das classes dominantes não diretamente vinculados aos interesses do financismo percebem o equívoco que foi terem abraçado a pauta do neoliberalismo sem nenhuma avaliação de suas consequências. A hegemonia política e ideológica exercida pelos ideólogos e propagadores do receituário do Consenso de Washington esteve na base da destruição da indústria brasileira.

Iniciativas como o programa governamental “Nova Indústria Brasil” (NIB) são importantes e muito bem-vindas. No entanto, apesar de estar ancorada no Ministério comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, a NIB tem se revelado claramente insuficiente para promover efetivamente aquilo a que se propõe: um processo intenso de neoindustrialização da nossa economia. A política de austeridade fiscal levada a cabo pelo ministro da Fazenda se apresenta como um enorme obstáculo para que as verbas governamentais sejam compatíveis com as necessidades de uma retomada robusta da capacidade de produção industrial. Por outro lado, juros muito elevados também inibem fortemente a capacidade de investimento e de operação no campo da economia real e produtiva.

A exemplo do que ocorre em outros domínios do governo, o Brasil aguarda ansioso por uma clara sinalização do presidente Lula a favor da indústria. Cabe a ele promover a necessária mudança nos eixos da política econômica, abandonando de uma vez por todas esse rigor austericida. Superar a contradição entre produção e rentismo implica a adoção de um programa robusto de planejamento econômico e social, oferecendo os espaços e os meios para que a reindustrialização seja colocada em movimento.



Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal


* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


Brasil 247

Nara Leão




Nara Lofego Leão (Vitória, 19 de janeiro de 1942Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989) foi uma cantora, compositora e instrumentista brasileira.


História

Filha caçula do casal capixaba Jairo Leão, advogado, e Altina Lofego, professora. Pelo lado paterno era descendente de portugueses, dos Açores, e pelo materno era descendente de imigrantes italianos da vila de Castelluccio Superiore, na região da Basilicata, que imigraram para o Espírito Santo no século XIX (famílias D'Amico e Lofiego). Nara nasceu em Vitória e mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão.[1]

Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo Os Oito Batutas, de Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Aos 18 anos, Nara tornou-se professora da academia.[1]



Musa da Bossa Nova
Nara em show de 1965.

A bossa nova nasceu em 1957, quando Nara fazia reuniões no apartamento de seus pais, localizado no edifício Champs-Elysées, em frente ao posto 4, da Avenida Atlântica, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli.[1]

Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de ideias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro por influência de Lyra.[1]

A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, pois Nara precisara se afastar por estar afônica em consequência da poeira do teatro. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.[1]

Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O Barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto—feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.

Tropicalismo

Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.[1]



Vida pessoal
Nara em 1964.

Vida Pessoal

Desde criança se interessava por música, e passou toda sua adolescência envolvida com música: reunia-se com amigos na praia ou em casa, tocava violão e escrevia letras. Em 1957 teve seu primeiro namorado, Roberto Menescal, seu amigo da época de escola e que frequentava sua casa nas reuniões musicais. O relacionamento terminou de forma amigável em 1958. Mesmo assim, Nara entrou em depressão e contraiu hepatite, proveniente de água contaminada. Após muito tempo afastada das aulas, decide abandonar os estudos no segundo ano colegial para se dedicar somente a estudar música.[1]

Neste mesmo ano de 1958 arrumou seu primeiro emprego: Como secretária de redação do “Tabloide UH”, caderno de utilidades comandado por Alberto Dines no jornal Última Hora, cujo dono era Samuel Wainer, marido de Danuza Leão e cunhado de Nara. Em menos de um ano, a jovem Nara promovida a repórter do tabloide.[1]

Ainda como secretária, Nara conheceu Ronaldo Bôscoli, redator, apesar de envolvido com a música, o que aproximou os dois. Passou a frequentar a casa de Nara nas rodas musicais. Em 1959, Nara e Bôscoli começam a namorar. Nesse período de namoro, Nara começa a se destacar como cantora. O namoro com Bôscoli terminou em 1960, quando ele a traiu com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires. A jovem rompe com Bôscoli, nem mesmo ficando sua amiga.

Década de 1960

Ainda em 1960, já se apresentando pelo país com seu grupo de amigos em pequenos shows de bossa nova, conhece o cineasta moçambicano Ruy Guerra. Os dois começaram a namorar no mesmo ano. Em 1961, Nara e Ruy foram viver juntos na casa dele. No ano seguinte, 1962, decidem casar-se numa pequena cerimônia civil.

Em 28 de março de 1963, lança-se profissionalmente no show Trailer do que seria o musical Pobre Menina Rica, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, na boate Au Bon Gourmet, em Copacabana. O espetáculo tem muito boa receptividade de público e crítica permanecendo três semanas em cartaz. No final do mesmo ano, após três anos de namoro, Nara grava o seu primeiro disco, lançado em janeiro do ano seguinte, incluindo seus primeiros sucessos nacionais, como o samba Diz que fui por aí, dos compositores Zé Keti e Hortêncio Rocha. Começa a se apresentar na televisão.[1] Nesta época passa a se apresentar como cantora solo em boates do Rio, mas não se considerava ainda uma profissional. Sua fama passou a crescer bastante, com novos discos surgindo, e ela rompe com a bossa nova, passando a cantar outros gêneros musicais, se interessando em cantar também samba de morro. No começo fora criticada, por acharem que ela combinava com bossa e ter sempre que cantar bossa, mas depois fora muito aplaudida, pois sua musicalidade se encaixava em qualquer melodia.[1]


Panfleto de show em 24 de agosto de 1965 na cidade de Goiânia.

Em 1965, a cantora passa a ficar mais conhecida, não somente por sua belíssima voz, mas também por sua opinião sincera e polêmica sobre os assuntos que envolviam o país, como a ditadura, concedendo diversas entrevistas no rádio e na TV.[1]

Neste mesmo ano de 1965, Nara e Ruy se divorciam, devido a irreconciliáveis diferenças conjugais. Ela decide tirar férias, e viaja por toda Europa e Nova York, onde além de passear, fez terapia e cursos voltados a música e ao teatro. Nessa época começou a ganhar mais dinheiro ao trabalhar como apresentadora de programas de TV, paralelamente continuou a gravar discos e fazer shows. No fim de 1966, Nara conheceu e começou a namorar o cineasta Cacá Diegues. Em seis meses de namoro, o casal
noivou.[1]
Nara em fotografia de 1966.

Em 1967 continua a participar de festivais de música e a fazer shows internacionais. Em 26 de Julho de 1967 casou-se no civil e na igreja com Cacá Diegues, dando uma grande festa na residência de seus pais, e passa a assinar Nara Lofego Leão Diegues. Decidiram morar em uma casa perto de suas respectivas famílias de origem. Com a agenda cheia de compromissos profissionais, o casal adia a viagem de lua de mel, acabando por passá-la no Rio. No fim do ano, surge um convite para Nara cantar em Paris. Entusiasmada, leva o marido junto e lá passam a lua de mel. Os dois gostaram da cidade, a acharam romântica, e passaram a fazer planos de um dia viver na França. Ao voltar para o Rio, e por influência do marido, volta a fazer curso de teatro e começa a fazer participações como atriz no cinema.[1]

No ano de 1968 começa a apresentar musicais em teatros de Ipanema. Também passa a se envolver mais com política, e junto com o marido, participa de protestos e manifestações públicas contra a ditadura.

Em 1969, Nara aparece cantando rapidamente no filme dirigido pelo marido, Os Herdeiros, assim como também Caetano Veloso. Diminui seus shows no Brasil, pois se vê ameaçada no país: O governo estava mandando prender alguns artistas, devido à censura. Recebe um convite e viaja para fazer uma temporada em Portugal. Neste ano sua carreira já a estava incomodando, pois não podia ir em nenhum lugar sem ser perseguida por fãs. Estava visivelmente estressada.[1]

Em agosto de 1969, viaja para Londres, onde nas rádios e TV's locais dá entrevistas dizendo que sua carreira de cantora está encerrada. Ela e o marido voltam ao Brasil, na esperança de estar tudo mais calmo, como noticiavam as rádios. Assustada com informações de que poderia ser presa, ela e o marido viajam para Paris, onde compram uma casa e passam a morar.[2]

Década de 1970

Em 1970 volta atrás em sua decisão de encerrar a carreira de cantora e passa a fazer pequenos shows pela Europa. No início do ano descobre estar grávida, o que é uma grande felicidade para ela e seu marido, Cacá. Ela não estava planejando ter filhos tão cedo, pois ainda queria ter mais tempo para se dedicar a sua carreira. Em 28 de setembro de 1970, em Paris, onde o casal morava há alguns anos, nasceu a primeira filha de Cacá e Nara, Isabel Diegues.[2] Em abril de 1971, Quando a filha completou 7 meses de vida, Nara descobre estar novamente grávida, o que é uma enorme surpresa e emoção a ela e Cacá.[1]

Em 1º de janeiro de 1972, Nara e Cacá voltam a morar no Brasil, pois queriam ficar mais próximos da família, e a situação política do país já havia melhorado consideravelmente, não havendo mais risco de prisão de artistas. No dia 17 deste mesmo mês, no Rio, no bairro de Copacabana, nasce o segundo filho
do casal: Francisco Leão Diegues.[1]




Nara em 1972.

Nara passa a gravar algumas músicas e participar de pequenos festivais. Não quer mais a agitação da carreira que antes tinha, e passa a se dedicar exclusivamente ao marido e aos filhos.[1] Ainda em 1972 ela faz um dos papéis principais do filme musical de Cacá Diegues, Quando o Carnaval Chegar.

Em 1973 participa como atriz de alguns filmes e passa a fazer pequenos shows pelo Brasil. Neste ano, volta a estudar, e termina o último ano do colegial, atual ensino médio, antigo científico.[1]

Em 1974, grava alguns discos e participa de festivais. Passou no vestibular de Psicologia na PUC-RJ. Ser psicóloga era um antigo desejo que possuía, e seguiria esta profissão, caso não fosse cantora. Agora que tinha diminuído seu ritmo de trabalho, passa a se dedicar aos estudos, filhos e casamento, sem deixar a música de lado. Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o ritmo de trabalho e modificando o estilo dos espetáculos, pois considerava muito cansativa a vida de uma cantora, já que agora tinha uma família para se preocupar constantemente.[1]

No ano de 1975 fez poucos trabalhos, gravando e lançando apenas um disco, que foi sucesso de vendas, o que a fez ganhar o troféu de Melhor Cantora do Ano.[1]

Em 1976 não trabalhou, e tirou este ano para estudar e cuidar dos filhos, do marido e do lar. Em 1977 volta com força, lançando novos discos, viajando o Brasil e participando de espetáculos, fazendo novas amizades no ramo musical, que lhe abriram portas, gravando música de outros cantores, também escrevendo e compondo suas melodias, e se apresentando em rádio e TV, inclusive fora do país.[1]

Por desentendimentos constantes nos últimos anos, Nara e Cacá se divorciaram em 1977, após 10 anos de casados, e assim a cantora voltou a usar seu sobrenome de solteira. Saiu da casa do marido com os filhos e foi morar sozinha com eles em uma casa que tinha há alguns anos. Sua depressão voltou mais forte, e Nara voltou a fazer terapia e passou a se dedicar intensamente a música, fazendo seu sucesso aumentar a cada dia mais. Ela não se casou novamente, e durante os anos seguintes, aparecia na mídia sempre com algum namorado novo. No ano de 1978, divulgou discos e passou a fazer shows nacionais e internacionais. Sua faculdade de psicologia foi interrompida para Nara manter sua agenda de cantora.[1]

Em 1979, enquanto fazia muito sucesso, passou por um episódio onde sentiu-se muito mal, com dores fortes de cabeça, tonturas e desmaiou, acabando internada. O verdadeiro motivo não foi identificado naquela ocasião e ocorreram diagnósticos conflitantes, desde causas psicológicas a problemas cardíacos, envolvendo a válvula mitral.

Década de 1980

Apesar de seu emocional abalado, isso não a fez se entregar novamente a depressão: Nos anos 1980 fez muito sucesso, viajando o Brasil e o mundo, lançando novos discos, gravando canções, atuando em musicais no teatro e fazendo parcerias musicais. Nesta época viajou para o Japão, onde divulgou a Música Popular Brasileira. De vez em quando passava mal em algum show, mas logo se restabelecia. Começa a fazer shows sozinha com seu violão, e também volta a se interessar por política, participando de eventos públicos a favor da eleição direta para presidente no Brasil.[1]

Em 1986 sua saúde piorou, passando a ter dores mais fortes de cabeça e esquecimento das coisas que fazia. Isso acabou prejudicando sua carreira, pois Nara, por mais que ensaiasse, esquecia totalmente as letras de música, ou o repertório, durante algumas apresentações, o que a deixava muito constrangida e triste. Sua dose de remédios fora aumentada, e após diversos exames, que nunca mostravam a causa de suas dores, descobriu-se, então, que o grande problema era um tumor maligno no cérebro. Sua natureza nunca foi determinada, nem o porquê se desenvolveu, já que para descobrir a causa do coágulo, seria necessário realizar uma biopsia, para extrair o tumor, mas ele se encontrava em uma área nobre do cérebro, a da fala, o que impossibilitaria qualquer intervenção no local. Caso fizesse qualquer procedimento na região afetada, Nara poderia ficar em estado vegetativo, e parar de andar, falar, ouvir e enxergar. Os médicos preferiram que ela tomasse medicações contínuas, em vez de arriscar uma cirurgia que poderia matá-la ou deixá-la inválida. Assustada e muito deprimida, Nara passou a maior parte do ano em repouso, sendo cuidada pelo seu namorado Marco Antonio Bompet, seu secretário e produtor Miguel Bacelar e sua irmã Danuza Leão. Apesar de estar doente, quando se sentia melhor fazia pequenos concertos pela Zona Sul do Rio. Só a música conseguia tirá-la do foco em seus problemas pessoais.[1]

Em 1987 e 1988, teve uma considerável melhora de saúde e passa a fazer temporadas de shows em casas noturnas do Rio, muitos deles em companhia de seu ex-namorado, Roberto Menescal, que tinha deixado suas funções de executivo da gravadora Polygram e voltara a atuar como músico.[1]

Morte

Em 1989 fez sua última apresentação no Pará. Ao voltar para o Rio, sua saúde piorou, com dores que não passavam nem com a medicação. A crise se deu após uma convulsão, quando a cantora precisou ser internada às pressas. Nara entrou em estado pré-comatoso e, pouco depois, em coma. Após passar um bom tempo no hospital, o tumor repentinamente rompeu-se, e Nara teve uma hemorragia fatal, não havendo tempo hábil para que os médicos pudessem salvá-la. A cantora morreu na Casa de Saúde São José, em 7 de junho, uma quarta-feira, ao meio-dia, e sepultada no Cemitério de São João Batista, também na capital fluminense.

Seu último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.[1]


Nara Leão em ilustração de Ina Carolina, 2008.

Pós-morte

Em 2002, seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em duas caixas separadas - uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989 - trazendo também faixas-bônus e um livro sobre sua biografia.[1]

Em 2007, a cantora Fernanda Takai gravou o disco Onde Brilhem os Olhos Seus, interpretando canções típicas do repertório de Nara Leão, fazendo assim uma homenagem. Em janeiro de 2012, seu acervo de fotografias, músicas e documentos foi digitalizado e aberto para consulta.[3]

Ainda em 2007 Nara foi homenageada no especial Por Toda Minha Vida da TV Globo.[4]

No início de 2022 a série documental "O Canto Livre de Nara Leão" estreou no Globoplay. Dividida em cinco episódios, a produção relembra a vida e a carreira da cantora, que completaria 80 anos em janeiro desse ano.[5]


Nara Leão

Nanci Saudades!

 



Imensa saudade sua Nanci. Precisa muito falar com você ou ve-la!


Quero pedir perdão de joelhos memo que muito tarde, aos 89 anos.

Você continua linda como sempre!!!


Zé Augusto

sábado, 29 de março de 2025

Impressionante!


 

Incrivelmente Impressionante!

Armando Antonio

Em 2016, um adolescente da Namíbia criou um telefone "que não entra chip" e "nem é preciso recarregar para falar com alguém".
Mas como?
Bem, o Simon Petrus criou um telefone que funciona com frequências de rádio, sem necessidade de cartão SIM ou tempo de antena. As chamadas podem ser feitas para qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem interrupções.
O dispositivo móvel levou 2 anos para ser concluído pelo garoto prodígio, e não foi fácil para o jovem inventor, que enfrentou dificuldades financeiras.
O projeto foi financiado pelos pais desempregados de Petrus, que tiveram que sacrificar mais de N$ 2.000 (US$ 146) para garantir que seu projeto fosse concluído com sucesso. O telefone, que é composto por um sistema de rádio, é conectado a uma caixa e faz chamadas de voz, além de também funcionar como uma TV, permitindo que o usuário assista a um canal de TV.
A invenção de Petrus não é uma história de sucesso de uma noite para o dia. Em 2015, o aluno ganhou uma medalha de ouro na competição nacional de escolas NamPower, depois de supostamente ter inventado uma máquina que serve como secador e resfriador de sementes.
Da África para o mundo!

29/03/2025

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