terça-feira, 12 de maio de 2026

Ldila Diniiz


Pesquisar a vida da Leila Diniz me fez escrever com o estômago em chamas...
Porque toda vez que eu mergulho nesses fragmentos do nosso passado, eu fico imaginando aqueles generais da ditadura de 64, de farda engomada, medalha brilhando no peito, mas alma mofada por dentro, espumando nos cantos da boca, berrando suas ordens... Eu quase consigo vê-los ali, mascando ódio como quem mastiga tabaco barato, encarando a televisão com aquele olhar de quem não suporta o próprio desejo, de quem não tolera a própria rigidez, de quem só sabe viver pela régua do castigo. Homens iguais, roupas iguais, pensamentos iguais. Esse povo que confundiu moral com repressão, ordem com mutilação, poder com medo. E contra eles… uma mulher. Uma mulher linda, livre, luminosa. Uma mulher que ousou existir sem pedir licença. Uma mulher que dizia o que queria, amava quem queria, vivia como queria. E era isso que mais corroía aqueles homens empoeirados de mente, esses velhos de espírito que vivem presos dentro de si mesmos. Porque no fundo, toda ditadura tem pavor do que não consegue controlar. E Leila Diniz era incontrolável. Eu comecei essa pesquisa achando que ia falar sobre escândalo. Mas terminei entendendo que o que Leila fez foi expor a hipocrisia inteira de um país que sempre castigou mulheres por existirem. Ela não foi o problema. Ela foi o espelho.

Leila nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, em um lar onde liberdade era semente. O pai, Nelson Diniz, era militante de esquerda, funcionário público e comunista convicto. A mãe, professora, acreditava na autonomia da filha. Era uma casa onde ideias circulavam, onde mulher não era subcategoria humana, onde se discutia política no almoço e literatura no jantar. Leila cresceu ouvindo que podia falar, podia discordar, podia existir inteira. E quando uma menina cresce assim num país que espera silêncio, ela vira um problema desde cedo.
Começou a trabalhar cedo também. Deu aula em escola infantil, foi babá, entrou no teatro amador. Aos 17 anos já tentava carreira de atriz. Não tinha plano perfeito, nem disciplina fantasiosa. Tinha talento, espontaneidade e uma naturalidade no corpo que o Brasil não sabia como interpretar. Muito antes de virar símbolo sexual, Leila já era símbolo de liberdade.
O país entrou na ditadura militar em 1964. Censura, vigilância, tortura, medo. A moral oficial do regime era um moralismo plástico, sujo, paranoico, moldado por homens que tinham horror ao que não podiam domar. E no meio dessa paisagem cinza, Leila brilhava em tecnicolor. Em 1966 entrou para a TV Globo e rapidamente se tornou uma das atrizes mais carismáticas do país. Mas foi fora das novelas que ela balançou o regime.
Em 1969, Leila deu a famosa entrevista ao jornal O Pasquim. Uma entrevista que, sozinha, virou terremoto cultural. Falou sobre amor, sobre prazer, sobre autonomia, sobre vida sexual, sobre maternidade, sobre ser mulher. E foi ali que ela disse a frase que virou estilhaço na janela do regime: “Você pode amar uma pessoa e ir para a cama com outra? Já aconteceu comigo.” Essa frase, simples e honesta, mexeu mais com os generais do que qualquer panfleto político. A ditadura militar pirou. Não é exagero. Pirou de verdade.
A raiva foi tanta que o governo sentou sua bunda pesada sobre a Constituição e publicou o Decreto-Lei 1077, em janeiro de 1970. Um decreto que ficou conhecido como o AI-5 da Cultura. Um instrumento jurídico feito especificamente para censurar publicações contrárias à moral e aos bons costumes. E tudo porque uma mulher teve coragem de dizer a verdade sobre si mesma. Uma mulher que falava o que queria, porque nunca foi criada para ter medo de homem armado.
E aí veio o episódio que eternizou o nome dela. Em 1971, grávida de sete meses, foi à praia de biquíni. E o Brasil inteiro entrou em colapso moral. As fotos rodaram o país. A imprensa caiu matando. Os moralistas tiveram síncope. Os generais espumaram pela boca com mais intensidade do que você imagina. Leila virou símbolo de decadência para uns, símbolo de libertação para outros. Mas o mais bonito é que ela nunca quis ser símbolo de nada. Ela só estava vivendo. Vivendo com o corpo que era dela. Vivendo a gravidez como um ato de amor e não como objeto de pudor. Vivendo sem pedir permissão a nenhum velho mofado que achava que mulher grávida tinha que se esconder atrás de cortina.
Pagou caro por isso. A TV Globo a demitiu sob o pretexto de que seu comportamento “não combinava com a imagem da emissora”. E quem a acolheu foi a TV Tupi, onde continuou trabalhando com brilho e irreverência. A verdade é que Leila Diniz foi punida por existir. Não por ato político explícito, mas por ser uma mulher inteira em um país acostumado a quebrar mulheres em pedaços.
No cinema, fez papéis marcantes. Em Asfalto Selvagem, em Todas as Mulheres do Mundo, em Por Um Amor em Veneza. Era magnética, engraçada, espontânea, intensa. Alguns críticos diziam que Leila não interpretava. Ela acontecia. E é impossível discordar. Leila tinha o tipo de presença que não se aprende em escola. Era vida transbordando.
Em 1972, Leila viajou para a Austrália para um trabalho. Na volta, O voo Japan Airlines 471 caiu antes do pouso. Ela tinha 27 anos. Vinte e sete. A morte dela foi uma facada no país. Veja só você, a hipocrisia. Foi como se alguém tivesse apagado uma lâmpada que iluminava um buraco escuro da nossa moralidade. O Brasil chorou. Porque só quando uma mulher livre morre é que o país percebe o silêncio que sempre quis impor a ela.
E aí volto a pensar no que somos hoje. No quanto ainda repetimos a mesma lógica da ditadura, só que agora com celular na mão. No quanto ainda temos gente indignada com a liberdade alheia. Mas não é todo mundo. É um grupo específico. É sempre essa mesma fauna de conservadores ressentidos, como disse Fernanda Lima, esses sujeitos empoeirados de alma, mofados por dentro, agarrados ao passado com medo do próprio desejo. Eles envelhecem no corpo. Envelhecem no espírito. São os velhos de mente, que espumam na internet porque não suportam que o mundo gire sem pedir autorização a eles.
Leila Diniz foi o avesso disso. O anti-mofado, o anti-recalque, o anti-silêncio. E seu corpo, sua voz, sua alegria e sua coragem abriram portas que ninguém mais conseguiu fechar. Ela incomodou porque era livre. E liberdade, quando vivida sem medo, tem o péssimo hábito de revelar todas as prisões alheias.
Leila viveu pouco. Mas viveu mais do que muita gente que vive um século inteiro acorrentado dentro de si. Ela foi mulher num país que não sabe amar mulheres. Ela foi livre num país que tem medo da liberdade. Ela foi verdade num país que idolatra aparência. E por isso contar sua história importa. Porque o país que tentou calá-la é o mesmo país que hoje precisa ouvi-la.
Leila Diniz não foi escândalo.
Leila Diniz não foi exagero.
Leila Diniz foi vida.
E isso sempre será maior do que qualquer ditadura.

ASTECA Contabilidade e Assessoria

terça-feira, 28 de abril de 2026

Nino e São Jorge Guerreiro

José Edemundo Alves da Silva, foi irmão do Valdo, pessoa alegre e um ótimo amigo.

Era um santo, claro que não. Como todo mundo tinha defeitos. Mas quem não os tem?
Todos temos. Mas o importante é que seus acertos eram maiores que seus erros.
Certo dia plantou em meu quintal mudas da planta "Babosa" que não lembro o porque, mas mantenho lá como lembrança dele até hoje.
Por isso, ouso afirmar que meu querido amigo era um cara bom.


"Hoje, 23 de abril,u  além de ser o dia consagrado a São Jorge, também é a data em que o meu irmão Nino completaria 84 anos. Infelizmente, sua vida foi cortada muito antes do tempo.

Restou a saudade e as muitas recordações. 

Continuará sempre vivendo na nossa memória."

Mensagem de Edwaldo Alves da Silva

Irmão do Nino

Asteca Contablidade e Assessoria

Zé Augusto

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Artigos de Zé Augusto V



AS CONCEPÇÕES LENINISTAS

Lenine foi o genial criador da teoria do partido de novo tipo. Partindo da teoria de luta de classes – que ele considerava a essência mesma do socialismo – viu a necessidade da organização de um partido político do proletariado, baseado no centralismo democrático, na disciplina, voltado para a propaganda das idéias do socialismo e da elevação conseqüente do nível de consciência das massas. Instrumento insubstituível para a classe operária impulsionar a revolução social.

Mas Lenine não esteve limitado a ser apenas o idealizador desse partido – foi o organizador principal e chefe do primeiro partido de novo tipo da classe operária a tomar o poder e construir, de forma a mais conseqüente, o socialismo. Isto, pela primeira vez na história da Humanidade.

Na obra “Que fazer?”, encontramos as condições básicas no terreno da organização do partido de novo tipo:

“Ora, eu afirmo: 1º) que não seria possível haver movimento revolucionário sólido sem uma organização estável de dirigentes que assegure a continuidade do trabalho; 2º) que quanto maior a massa integrada espontaneamente à luta, formando a base do movimento e dele participando, mais imperiosa a necessidade de se ter tal organização, e mais sólida deve ser essa organização ( senão será mais fácil para os demagogos arrastar as camadas incultas da massa ); 3º) que tal organização deve ser composta principalmente de homens tendo por profissão a atividade revolucionária; 4º) que em um país autocrático, quanto mais restringirmos o contigente dessa organização, ao ponto de aí não serem aceitos senão os revolucionários de profissão que fizeram o aprendizado na arte de enfrentar a polícia política, mais difícil será “capturar” tal organização e 5º) mais numerosos serão os operários e os elementos de outras classes sociais, que poderão participar do movimento e nele militar de forma ativa”.

Concebendo a organização como partido de revolução social, Lenine considerava a necessidade imperiosa do trabalho de educação, da capacitação de seus membros para a árdua e complexa tarefa de organizar e mobilizar a classe operária: “nossa primeira e imperiosa obrigação é contribuir para formar revolucionários operários que estejam ao mesmo nível dos revolucionários intelectuais em relação à sua atividade no partido”.

E o trabalho de educação não se resumia, para ele, na mera capacitação para atender as necessidades práticas e imediatas do movimento. Preocupava-se, fundamentalmente, com a teoria revolucionária, com a importância da luta teórica: “Sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário. Não seria demasiado insistir sobre essa idéia em um época onde o entusiasmo pelas formas mais limitadas de ação prática aparece acompanhado pela propaganda em voga do oportunismo”. Tal pensamento, diga-se de passagem, é de um impressionante atualidade para o PCB.

Pensava a revolução como obra de milhões, como fenômeno de massa. Para isso, tornava-se necessário organizar e mobilizar as massas operárias, dando-lhes, verdadeiramente, consciência revolucionária. Sentia a necessidade de o proletariado conquistar a hegemonia do processo, o que se daria na medida em que este e seu partido participassem e opinassem ativamente em todos os acontecimentos, quaisquer que fossem as classes envolvidas.

Nesse sentido, afirmava que a “consciência da classe operária não pode ser uma consciência política verdadeira, se os operários não estiverem habituados a reagir contra todo abuso, toda manifestação de arbitrariedade, de opressão e de violência, quaisquer que seja as classes atingidas ...”.

“Devemos ir a todas as classes da população” como teóricos, como propagandistas, como agitadores e como organizadores... . pois não basta dizer-se “vanguarda”, destacamento avançado, é preciso proceder de forma que todos os outros destacamentos se dêem conta e sejam obrigados a reconhecer que marchamos à frente”.

É verdade que muitas de suas propostas tinham em mira a Rússia de 1902. Entretanto, não há como negar-lhes uma validade universal no que concerne ao seu espírito, orientador da ação revolucionária. Não se trata, portanto, de transpô-las mecanicamente sem levar em conta o espaço e o tempo, mas de guiar-se por seu espírito criador.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A CLANDESTINIDADE

Percebe-se não existir entre os comunistas brasileiros, hoje, uma idéia muito clara à respeito dessa questão. Em geral, limita-se a uma ligação dela com períodos ditatoriais, com o aspecto repressivo em si, sem levar em conta, devidamente, sua conotação de classe. O comportamento do Partido frente à clandestinidade e a segurança flutua ao sabor do grau maior de repressão ou liberdade, de forma mecânica e a reboque da ação do inimigo. Quando a repressão torna-se mais intensa, surge entre os comunistas o chamado “segurismo”; porém, quando a burguesia afrouxa um pouco as cravelhas, reina o liberalismo, a ilusão de classe. Na verdade, clandestinidade é entendida como necessidade frente a este ou aquele ditador de plantão – a ação do Estado “desligada” da luta de classe. A repressão seria produto da vontade de governantes “maus”, de militares “duros”, e não como uma exigência para as classes dominantes criada a partir da existência mesma da luta de classe.

A conquista do socialismo e do comunismo pela classe operária exige que esta última liquide os privilégios e a própria burguesia como classe. Não existe outra forma de construir o socialismo senão expropriando os expropriadores, isto é, desapropriando os meios de produção e tornando-os propriedade social.

Ocorre que a burguesia não é ingênua e sabe disso. Assim, em qualquer sociedade capitalista, mesmo na mais “democrática” das democracias burguesas os exploradores sabem que a função dos partidos comunistas é levar o proletariado a tomar suas fábricas, suas terras, seus edifícios, empórios e bancos, e colocá-los a serviço do interesse da coletividade. Por isso, a burguesia sempre procurou e vai continuar procurando, por todas as formas e meios ao seu alcance, usando dos métodos mais sutis aos mais violentos, exterminar o partido comunista ( às vezes até fisicamente como prova os casos da Indonésia, Brasil, Chile, Grécia etc. ) , para, dessa forma, tentar barrar o avanço da classe operária em direção ao socialismo. A burguesia compreende perfeitamente, mais que até que muitos comunistas, a importância decisiva do partido político do proletariado para a revolução – por isso esforça-se febrilmente para privar os exploradores de seu partido.

Ademais, nem a teoria marxista-leninista admite, e muito menos a prática histórica comprova, existir a hipótese das classes dominantes, espontânea e pacificamente, abrirem mão de seus privilégios e propriedades de suas imensas riquezas e vida fácil...

Dessa forma, temos que a questão da clandestinidade sempre está posta para os partidos comunistas como uma necessidade gerada pela luta de classes. O que varia – de acordo com a época e o lugar, de acordo com as condições concretas – é o seu grau. Rigoroso nos regimes ditatoriais, mais flexível nas democracias burguesas.

No entanto, ninguém pode duvidar que os serviços secretos de democracias burguesas estáveis, como a França e Itália, por exemplo, deixem de “mapear” o partido, de violar suas correspondências e gravar seus telefonemas, de introduzir informantes e provocadores em suas fileiras, etc. E é evidente que essa atuação dos órgãos de segurança do estado burguês não se dá por acaso ou pela vontade deste ou daquele chefete. Ela visa preservar o modo de produção capitalista, servindo, portanto, diretamente aos interesses da classe burguesa. Por isso, alguns partidos comunistas mais precavidos, mesmo nas condições européias, não abrem mão de uma estrutura clandestina paralela à legal.

Nesse ponto, vamos recordar duas afirmações de Lenine: “1º) que não seria possível haver movimento revolucionário sólido sem uma organização estável de dirigentes, que assegure a continuidade do trabalho (...) 4º) que em um país autocrático, quanto mais restringirmos o contingente dessa organização, ao ponto de aí não serem aceitos senão os revolucionários de profissão que fizeram o aprendizado na arte de enfrentar a polícia política, mais difícil será “capturar” tal organização (...)” (grifos meus, AL).

A história brasileira é rica em ensinamentos quanto à necessidade da clandestinidade no grau apropriado, em decorrência da luta de classes. E torna-se mesmo lamentável que o PCB, após 60 anos de lutas, pouco haja aprendido a respeito.

Ora, o que justamente a sua experiência histórica vem demonstrando é que, devido à incompreensão da necessidade da clandestinidade como decorrência da luta de classes – a ilusão de classe, no dizer do Informe ao VI Congresso – tem sido muito fácil ao inimigo “capturar” a organização, isto, acentuadamente nos últimos 20 anos. Em consequência não tem podido existir “uma organização estável de dirigentes, que assegure a continuidade do trabalho”.

Este País tem uma fortíssima tradição autoritária vinda desde época da colônia. O povo brasileiro tem vivido, como regra, sob regime autocrático, podemos assim dizer. Senão vejamos: nos últimos 50 anos, o Brasil só teve dois períodos onde as liberdades democráticas vigoraram de forma mais ou menos intensa para as massas. Num deles, 1945-1947, o PCB chegou até a legalidade de direito e de fato. No outro, 1958-1964, teve a legalidade de fato, mas não de direito. Feitas as contas, temos 8 anos de vigência maior de liberdades contra 42 anos de arbítrio, fato que comprova, sobejamente, uma tendência autoritária predominante.

De 1935 a 1943, o PCB foi literalmente desbaratado, tendo milhares de militantes presos, torturados ou mortos. Com a cassação do registro em 1948, ou seja, 3 anos após iniciado um processo de democratização, sobreveio nova onda de repressão com a chegada da chamada “guerra fria”. Com o golpe militar reacionário de março de 1964, violenta repressão voltou a se abater sobre o Partido, quase dizimando-o; e o mesmo sucedendo-se após a edição do AI-5. em 1974 teve cerca de uma dezena de membros destacados do CC assassinados, e o massacre que sofreu em 1975, por sua profundidade e amplitude, está ainda por demais vivo na lembrança.

Assim, nesses mesmos 50 anos o PCB sofreu nada menos de 6 grandes massacres, sem contarmos as investidas menores da reação, perdendo-se milhares de militantes. Ou seja, a história ensina que toda vez que o Partido se reorganiza e passa a contribuir melhor para o efetivo assenso das lutas das massas, sofre toda sorte de repressão.

Tais dados nos permitem concluir que as condições específicas de formação da sociedade brasileira, desde a colônia, baseada no grande monopólio da propriedade, não possibilitaram o surgimento de uma democracia burguesa estável, a exemplo dos EE.UU, França, Itália, Suécia, etc. E agora, nada vem indicando que estejamos nesse caminho; pelo menos, não é precisamente nessa direção que apontam as repressões às greves, as centenas de atentados fascistas impunes, o conhecido episódio do Rio-Centro, o ‘pacote” eleitoral de novembro deste ano, os reiterados pronunciamentos reacionários, eminentemente anti-comunistas, dos ministros militares e oficiais do Alto-Comando, a desenfreada campanha anticomunista desenvolvida através dos meios de comunicação, etc.

Por outro lado, temos que a bandeira da legalização do PCB é a mais democrática reivindicação da sociedade brasileira, sem dúvida alguma. Trata-se da conquista da classe operária de poder possuir publicamente seu partido político. Por isso, cabe aos comunistas levantá-la sempre, mais especialmente em épocas de maior vigência das liberdades, ou mesmo da “abertura” atual. Contudo é preciso não perder de vista que uma legalidade “concedida” ou obtida através de conchavos ou abdicação – mesmo parcial – da luta de classes, não pode possuir base social que lhe garanta um futuro. Por isso, trata-se de mera e irresponsável exposição dos militantes e da estrutura partidária à sanha da reação.

A legalidade efetiva do PCB só poderá ser obtida no bojo de um movimento de massas ascendente, em elevado grau de mobilização e organização, e sob a hegemonia do proletariado. Nessas condições, a classe operária – a maior interessada em legalizar seu partido político – não só poderá conquistar a legalidade para o PCB como garantir ( o que é muito mais importante) a sua continuidade. Fora disso, seria tentar uma política aventureira, como a que está sendo posta em prática pela direção de São Paulo, que teria como resultado a entrega leviana do pescoço dos militantes e da estrutura do Partido para a reação.

Sem esquecer a importância da conquista da democracia e da legalidade do PCB, para a caminhada da classe operária rumo ao socialismo, tem o Partido que agir sempre conforme as condições concretas, avaliando bem a correlação das forças na luta de classes, se não quiser ser metódica e periodicamente arrasado. E essas condições concretas exigem a manutenção de um determinado grau de clandestinidade, imprescindível à sobrevivência da organização e a continuidade da ação revolucionária.

As direções, em geral, inclusive e principalmente a Direção Central, tem que ser clandestinas, nas condições do Brasil já explicadas anteriormente. Seria pura ilusão supor a segurança eficiente de um corpo clandestino que possua uma cabeça legal; esta última, levaria inevitavelmente a polícia até os escalões inferiores, em função dos necessários contatos entre dirigentes e dirigidos. Já os militantes de base devem ser legais enquanto cidadãos e políticos participantes do movimento de massas, mas clandestinos quanto à sua condição de membro do Partido. Eis aqui as imensas dificuldades e correspondente habilidade exigida, para a correta combinação do trabalho legal com o ilegal, fato que impõe maior parcimônia e segurança na ligação entre a espinha dorsal dirigente ( que deve ser rigorosamente preservada) e as bases.

Não podemos esquecer que num País de dimensões continentais como este, onde são relevantes as desigualdades regionais, o grau de clandestinidade poderá variar de uma para outra região, talvez entre cidades e até mesmo desta para aquela empresa, segundo as condições concretas de cada lugar. Paralelamente, deve-se considerar ainda a centralização da repressão a nível nacional, que atua em sentido contrário às diferenças regionais, e, ainda, o caráter necessário da clandestinidade.

O importante, a meu ver, é o pleno convencimento de que a opção que se coloca não é entre “segurismo” ou ilusão de classe, como querem fazer crer alguns maldosos e outros equivocados. O Partido carece permanentemente da clandestinidade em função da luta que se trava entre classes inimigas, que possuem contradições antagônicas, e cuja superação pressupõe a liquidação da burguesia como classe pelo proletariado.

Portanto, cabe aos comunistas, a partir da Direção Central, aplicá-la num determinado grau que, sem isolar o Partido das massas e voltá-lo sobre si mesmo, possibilite a continuidade da ação revolucionária pela sobrevivência de um núcleo estável de dirigentes, nacionalmente falando, e da organização como um todo.
Zé Augusto

Asteca Contabilidade e Assessoria

sábado, 31 de janeiro de 2026

Maria Leopoldina Veiga ou Leo


Leo

Esta é a grande amiga Leo, que foi minha professora de russo aqui no Brasil e de muitas outras pessoas cujo número não tenho como precisar mas que devem ter ultrapassado centenas deles.


Foi ao que sei Aeromoça da Aeroflot, participou de diversas sodiedades de Amizade Brasil-URSS.e inúmeras outras atividades profissioais e culturais.

Mulher trabalhadora, independente, guerreira de um lado, e de outro amiga e carinhosa. foi casada com meu também grande amigo Jazon funcionário estadual de São Paulo, pessoa igualmente coceituada e respeitada por todos.

Minha querida amiga ficou um tempão enferma. Agredida por câncer em seu organismo lutou bravamente contra ele durante alguns anos. Até que essa doença infernal subjugou-a e ela veio a falecer no dia 29/01/2025 passado.

Amigo Jazon sei da sua dor imensa. Você durante quase todo o processo acreditou que a Leo resistiria e venceria, daria a volta por cima. E é tão corajoso e valente que creio que até este momento ainda não processou o acontecido tal o amor que a ela dedicava.

Meu querido, já passei por situação semelhante em dezembro de 1978. Tinha uma filha nascida em 13/01/1976 o grande amor de minha vida que, com 1 ano de idade foi constatado que estava possuida pela Linfoide Aguda para a qual ainda não havia tratamento naquela época.

Mesmo assim vivi uma "lua de mel" com ela até 26/12/1978 quando faleceu. Diferente de você apelei para a bebida, enchi a cara, briguei com muita gente, apanhei de uns bati em outros numa loucura sem fim.

Depois da tempestade deio a bonança. Entendi que os pais nascem para morrer antes dos filhos. Quando acontece o contrário como com Gilberto Gil, o dono de uma Pizzaria que eu frequentava e creio que com outras pessoas a dor é imensa, insuportável.

Mas depois vamos aceitando o inexorável, e vamos sentindo uma leve e doce saudade. Mas até hoje quando  trato desse assunto os olhos enchem de lágrimas. Mas doces.

Não tem jeito pessoal!
Zé Augusto
Asteca Contabilidade e Assessoria 

sábado, 10 de janeiro de 2026

BÉSAME MUCHO



Consuelo Leandro



Eu já amava essa música, agora me apaixonei por ela ❤️

Você sabia que uma das canções mais famosas do século XX — “Bésame mucho” — nasceu do coração inquieto de uma menina de apenas 16 anos, aluna de um colégio católico rigoroso?
Consuelo Velázquez veio ao mundo em 21 de agosto de 1916, no México. Pelo lado paterno, descendia de uma linhagem antiga, que carregava com orgulho a memória de um bisavô ilustre. Mas, por trás dessa nobreza distante, a família enfrentava dificuldades bem reais.
Seu pai morreu cedo, deixando a esposa com cinco filhos para criar. A caçula, Consuelo, foi enviada a uma escola católica — a mãe sonhava vê-la freira um dia. Mas o corpo frágil da menina não suportou as longas horas de oração: os desmaios e tonturas a devolveram para casa.
Um dia, durante uma festa infantil, o destino se aproximou com mãos de músico. Um pianista convidado percebeu como, aos 9 anos, aquela menina pobre dominava as teclas com graça inata. Impressionado, ofereceu-se para financiar seus estudos.
Entrar no Conservatório Nacional foi descobrir que a vida disciplinada das religiosas era suave diante da rotina de um futuro músico profissional: seis a sete horas de prática diárias, sem fins de semana, sem feriados, sem respiros.
E então, no silêncio da adolescência, surgiu a canção.
“Bésame mucho” nasceu não de uma lembrança, mas de um desejo.
Era o retrato de um amor que ainda não existia.
“Eu nunca havia sido beijada”, confessou Consuelo muitos anos depois.
“Era apenas um sonho. Uma fantasia.”
Com medo de escândalo — afinal, uma jovem “decente” não deveria compor sobre beijos — enviou a música ao rádio sob pseudônimo.
Mesmo assim, a fama a encontrou. Rápida. Imensa.
A mãe ficou horrorizada: como a filha, criada para ser freira, podia ter escrito algo tão… “perigoso”? Estava certa de que ninguém jamais se casaria com ela.
As portas de Hollywood se abriram. Ofertas, contratos, cifras tentadoras. Mas Consuelo recusou. Sonhava com a música clássica, não com canções consideradas ousadas demais para sua época. Depois de um mês, voltou ao México — à família, ao piano, ao país onde sua vida ganharia raízes.
Casou-se uma única vez, não por paixão, mas por destino. O noivo foi Mariano Rivera Conde, editor musical da rádio que divulgara sua primeira canção. Pediu sua mão três anos depois de conhecê-la. Ela aceitou — e com ele teve dois filhos. Ficou viúva 30 anos antes de morrer e nunca voltou a se casar.
Consuelo viveu discretamente, com rendas modestas, mas profunda importância cultural.
Deu concertos.
Compôs cerca de 200 obras.
Presidiu a União dos Compositores do México.
Foi deputada.
E tornou-se uma figura respeitada no cenário artístico do país.
Enquanto isso, “Bésame mucho” crescia além de qualquer expectativa:
– sucesso mundial imediato,
– número 1 nos EUA após três anos,
– traduzida para 120 idiomas,
– vendendo mais de 100 milhões de cópias,
– interpretada por mais de 700 artistas, incluindo Beatles, Sinatra, Elvis Presley e Plácido Domingo.
Tudo isso graças ao sonho de uma menina que, aos 16 anos, escreveu sobre um beijo que ainda não conhecia — e que o mundo inteiro nunca mais esqueceu.

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