quarta-feira, 15 de julho de 2026

João Guimarães faleceu


Faleceu nosso amigo e companheiro de lutas há décadas João Guimarães, dirigente sindical dos trabalhadores em postos de combustíveis de Osasco e região, conhecido como Joãozinho.

Joãoznho era um companheiro valente que lutava duro pelos direitos e mais sentidas reivindicações de sua categoria e dos trabalhadores brasileiros há décadas sem descanso,  ou seja, sem arriar a bandeira.

Seu feito mais destacado em defesa da categoria foi a luta vitoriosa pela manutenção dos empregos dos trabalhadores em postos de combustíveis contada assim.

Há muitos anos passados os proprietários de postos resolveram imitar seus colegas dos EUA. Naquele país o cidadão abastece seu veículo na bomba. Ou seja, não existe ninguém para atende-lo além do gerente ou dono,

Portanto naquele país, até hoje, não existem trabalhadores em postos de gasolina!

E levantaram essa bandeira contra os trabalhadores daqui.

Aí nosso amigo Joãozinho se insurgiu. liderando uma greve contra essa insanidade que, de Osasco se espalhou por São Paulo e atingiu o Brasil inteiro tornando-se vitoriosa.

E depois dessa greve nacional vitoriosa o que aconteceu com meu amigo Joãozinho? Nada.

Na semana seguinte apareceu na Asteca com seu sorriso e simpatia de sempre, educado e atencioso com todos como de hábito.

Não recebeu homenagens, não pleiteou nada para si, Nenhum cargo em sua Central Sindical.

Continuou sendo o João Guimarães de sempre, de todo dia. Ou seu Joãozinho!

Há tempos teve sérios problemas de saúde que findaram por levá-lo ao falecimento.

A Asteca nas pessoas de Carmen Nishijima e Patrícia Mito estiveram presente no Velório para prestigiar Joãozinho e prestar-lhe nossas sinceras condolências à sua familiia, amigos e companheiros de luta;

João Guimarães smpre presente!

Zé Augusto

Asteca Contabilidade e Assessoria

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Artigos do Zé Augusto III


Constuir e Educar

Na época em que redigi esta matéria, 1982, era membro do PCB e com muito orgulho. Mas ela é perfeitamente aplicavel aos petistas, Luiz Inacio, e os sindicalistas de hoje.

Esta obra é muito grande por isso vou transcrever todo o Sumário, mas publicar trechos palatáveis para uma leitura atenta e proficua. Nos capítulos seguintes serão publcado outros que aqui não coubera, e, razão do espaço

Sumário

Introdução 

A Formação do PCB

Um Pouco de História 

“Teoria do Pêndulo” 

A Crise Atual 

As Concepções Leninistas 

Considerações sobre a Clandestinidade 

A Questão da Segurança 

Do Revolucionário Profissional 

Quadros ou Massas? 

Centralismo e Dilina 

Onde Construir? 

Sobre a Importância da Teoria e da Educação 

À Propósito da Propaganda 

O Trabalho entre as Massas 



Dedicado:

À memória do querido amigo José Francisco de Oliveira, o “Papai”, combatente de vanguarda do proletariado e antigo membro da Direção Central do PCB, que do marxismo-leninismo apreendeu o traço essencial: a inabalável posição de classe.

“Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar”.

K, Marx e F. Engels


INTRODUÇÃO

Muito se tem falado e escrito à propósito do PCB. A verdade é que não se pode contar a história do Brasil, nos últimos 60 anos, sem levar em conta a atuação desse partido no cenário nacional.

Infelizmente, e com exceção de Astrogildo Pereira, as pessoas que sobre ele tem opinado ou assistiram “de janela” os acontecimentos ou recorreram às pesquisas em documentos históricos. Não se tem notícia da existência de trabalho de maior fôlego – mesmo narrativo – elaborado por membro da Direção ou velhas lideranças nacionais. Ressalve-se, porém, uma interessante entrevista de Salomão Malina à revista “Temas”, e uma tentativa de contar a história do movimento operário do nordeste feita por José Francisco de Oliveira, que não chegou a ser publicada e cujos originais devem Ter-se perdido durante o período ditatorial.

Tal afirmação não significa minimizar o valor científico das pesquisas que vem sendo feitas por historiadores e cientistas sociais em geral. Elas devem, inclusive, ser estimuladas e apoiadas. Contudo, seria por demais valioso se pudéssemos contar com trabalhos preparados por pessoas que participaram diretamente das lutas revolucionárias. Testemunhas oculares que transmitiriam os fatos com o calor de um possível envolvimento emocional, é bem verdade, porém extremamente rico e autêntico pela vivência direta.

No fogo da incruenta luta interna que ora se desenrola, assistimos ao surgimento de opiniões carregadas de emoção e subjetivismo. Decepcionada e premida pela profunda crise, a camada média (majoritária no seio do Partido) acusa-o de ele não ter exatamente aquilo que idealizaram em suas fantasias. Procuram negar de vez todo o passado, mesmo desconhecendo-o, numa posição que Prestes, com muita propriedade, chama de extremamente negativista. Cobram ao Partido pelo que ele não pode ser e criticam-no como a algo abstrato do qual não participassem e sobre o qual não influíssem.

Penso que o criticismo inveterado não é o caminho em direção à verdade e à construção de um partido efetivamente revolucionário. É preciso estudar a história do à luz do marxismo-leninismo, para daí extrair as indispensáveis lições para o futuro, sem pré-julgamentos, sem idealizá-lo ou negá-lo sistematicamente. No mundo não existe apenas o maniqueísmo do branco e preto, do bom e mau. Tanto o arco-íris quanto a vida são ricos em matizes os mais variados...

Não pensei este trabalho para o deleite dos intelectuais. Mas, como uma modesta contribuição para o estudo e debate entre operários e camponeses revolucionários; para os homens simples, enfim, que no cotidiano são o próprio Partido.

Um partido político não existe abstratamente, fora de seus membros, mas justamente nos homens que o compõem. Cabe a eles, portanto, a árdua – porém honrosa – tarefa de encontrar soluções revolucionárias para os graves problemas de organização. Os erros ou acertos do passado por certo influenciam o futuro, porém não o determinam mecanicamente.


Dezembro de 1981.

A. Lemos
(o cara mais sectário e radical do Brasil que me recrutou para o então P.C do B)


A FORMAÇÃO DO PCB

A formação do PCB, embora não seja causa absoluta de seus erros e acertos, influenciou fortemente, o desempenho ulterior da organização.

Antes de mais nada, é preciso Ter-se em conta que um partido político reflete, em última instância, a sociedade na qual está inserido. Ao nele ingressar, o militante não se despe, como que por encanto, dos defeitos ou virtudes, da formação cultural, da ideologia dominante, do peso da tradição e costumes, do grau de conhecimento etc., de que é possuidor. Seu trabalho partidário, consequentemente, estará condicionado por todos esses fatores e em maior ou menor grau, conforme as características e desenvolvimento de cada um. Nessas condições, a atividade do conjunto de militantes, assim entendida, dará o direcionamento, para melhor ou para pior, da “performance” da organização. Ou seja, o partido será bom ou ruim na medida da capacidade de seus integrantes.

Apenas na fantasia pequeno-burguesa existe o homem perfeito: o revolucionário pronto e acabado à espera de recrutamento. Fora daí, a vida mostra o cidadão comum, produto da sociedade onde nasceu e vive. Por isso, o que irá capacitar o militante, elevar seu nível teórico e ideológico, seus conhecimentos políticos, será a educação que vier a receber no interior da organização. E esta, como não poderia deixar de ser, dependerá do grau de assimilação do marxismo-leninismo de seus camaradas e dirigentes.

Na Europa, mais precisamente na Alemanha, França e Rússia, o surgimento dos partidos comunistas se deu num momento onde o movimento operário era forte e atuante e elevado o nível de desenvolvimento da teoria revolucionária. Dessa forma, tais partidos nasceram do casamento de uma teoria revolucionária avançada com um movimento operário dinâmico.

Em nosso País, entretanto, as coisas não se passaram exatamente assim. O capitalismo aqui, na década de 20, era ainda incipiente. Predominava uma economia que importava a esmagadora maioria dos produtos industrializados de que necessitava, e tinha suas exportações restritas aos produtos primários. Ainda prevaleciam as relações pré-capitalistas de produção e, por isso mesmo, era pequeno o papel econômico do proletariado, consequentemente, débil a sua atuação política.

De outro lado, a produção teórica brasileira, especialmente no aspecto revolucionário, era bem pequena, correspondendo, como não poderia deixar de ser, ao estágio atrasado em que nossa sociedade se encontrava.

Dessa maneira, temos que o surgiu, em termos locais, do casamento de uma teoria modestamente desenvolvida com um movimento operário valente, porém de pequena abrangência social e política em virtude modesta participação do trabalho assalariado no conjunto da economia. Pode-se mesmo afirmar que aquilo que contribuiu decisivamente para a criação do PCB foi o evento da Revolução Socialista de Outubro. Seus ventos para cá sopraram as idéias do marxismo-leninismo, e a história nos dá conta do entusiasmo causado entre os operários, traduzido pelos movimentos de solidariedade material e política à jovem Rússia Soviética...

Se o anarco-sindicalismo impulsionou as lutas primeiras de nossa classe operária, a Revolução de Outubro foi a mãe do PCB. Mas, é evidente que as débeis condições locais teriam de marcar, indelevelmente, seu ulterior desenvolvimento.

Nessas condições, e não tendo peso para influir marcadamente na formação do Partido, o proletariado foi ultrapassado pela camada média – militares, funcionários, artesãos, profissionais liberais etc. – seu mais expressivo celeiro de militantes e, especialmente, de dirigentes. Sendo um traço predominante na composição social do Partido, tal camada contribuiu para entravar o desenvolvimento do nível ideológico.

Muito mais que a mera influência do anarquismo, como querem alguns, ou da vontade de alguém, foi a penetração do espírito pequeno burguês e da ideologia burguesa (facilitado pela debilidade numérica, social e política do proletariado de então) a causa principal dos equívocos no terreno da formulação teórica e dos desvios na prática.

É sintomática a fraca produção teórica do Partido ao longo de sua história, confirmada pelo fato de inexistirem obras de porte de autoria sequer dos principais dirigentes. Isto revela, com toda a clareza, o atraso dos militantes e quadros nessa esfera, consequentemente a dificuldade em analisar com justeza a realidade brasileira e, assim, elaborar programas que pudessem ganhar para as lutas a maioria do operariado e do campesinato.

Outro aspecto importante a considerar foi a influência exercida pela Internacional Comunista sobre o Partido. Sem minimizar a valiosa ajuda dela recebida, é preciso Ter-se em conta, por outro lado, que o PCB não poderia ficar imune ao sectarismo e dogmatismo, ao culto à personalidade, prevalecentes no movimento comunista por um largo período.

Não é muito difícil imaginar que um Partido débil teórica, política e ideologicamente, não teria condições de resistir a tais desvios. Faltar-lhe-ia a indispensável capacidade crítica para discutir e analisar corretamente a orientação vinda de fora, separando o joio do trigo.

Contudo, ingênuo seria supor que o culto à personalidade haja sido imposto de fora ao Partido, simplesmente, como pensam os inimigos jurados do internacionalismo proletário. Numa sociedade autoritária e atrasada como a nossa, o campo era fértil para o florescimento do caudilhismo. E o PCB tinha, obviamente, de refletir – de certa forma e em certo grau – os aspectos da sociedade onde está inserido, e de onde, forçosamente, retira seus componentes.

Se a influência mais geral vinda do meio social favorecia o desenvolvimento do culto, do autoritarismo e do sectarismo, muito mais agia nessa direção a componente pequeno-burguesa interna. Os militares forneceram um apreciável contingente de militantes – nos anos 30, especialmente – para os quadros do PCB. E, como todos sabemos, a educação da caserna baseia-se no mando e obediência incontestáveis. Ilusório desejar que esses bons camaradas deixassem em casa sua formação antes de ingressar no Partido...

Mas, não cometamos a injustiça de debitar a apenas tais camaradas essa questão. A camada média é, em geral, muito sensível ao culto à personalidade e ao autoritarismo, não sendo por acaso que o nazismo haja recrutado justamente aí seus militantes. Recentemente, à época do chamado “milagre brasileiro”, quem colocava em seus automóveis dísticos do tipo “ame-o ou deixe-o” ?

Essas as condições básicas sobre as quais se erigiu o PCB. Sem pretendermos atribuir a isso toda a responsabilidade, lembramos que se trata de uma contribuição ao debate – do ponto de vista do marxismo-leninismo – ao estudo dessas questões, levando em conta a marcante influência que exerceram sobre os rumos que o Partido veio a tomar.
Zé Augusto
Asteca Contabilidade e Consultoria

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O que a Asteca pode fazer por você

Se os companheiros estão pensando que esta frase é de minha autoria estão enganados. Ela foi cunhada pela amiga Neusa, quando editava e imprimia o Boletim Asteca Informa, naquela época, ainda impresso em papel, a partir do segundo semestre de 1997. Faz tempo, heim?


quarta-feira, 20 de julho de 2016

E, assim, nasceu o tal de "O que a Asteca pode fazer por você”.

Bem, após estas reminiscências vamos ao que interessa hoje. Ou seja, o que a Asteca pode ou poderia fazer por você, agora. Por sua entidade, claro. Seja ela uma entidade sindical, seja uma cooperativa, seja uma entidade do movimento popular, ou alguma das clássicas ONG´s, Organizações Não Governamentais. Como vimos antes, a Asteca se dedica a atender a todas aquelas entidades que, para usar um modismo atual, seriam Organizações do Terceiro Setor.

E ela atua nessa área desde maio de 1981, portanto, há mais de 40 anos, sim, nada menos de 40 anos!

Dessa forma, por mais que todos aqui fossemos burros, teríamos nesse tempo todo de ter aprendido alguma coisa do meio, não é mesmo?

Um detalhe: o Zé Augusto, além de contabilista, além de "jurista da classe operária", foi, ainda, sindicalista nos seus áureos tempos de juventude. Nunca exerceu um cargo de dirigente de entidades sindicais de operários, mas, militava ativamente no meio, participando de TODAS as assembléias do seu sindicato, sendo escolhido pelos trabalhadores para as comissões que, se tornavam necessárias, enfim, como se diz na gíria, "sendo ouvido e cheirado" para tudo. Inclusive, teve a honra de, com outros trabalhadores, ser um dos fundadores do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo, lá pelos idos dos primeiros anos de 1960.

Para não dizer que nunca exerci cargo sindical, a bem da verdade, fui Tesoureiro no final dos anos 1950 do Sindicato dos Contabilistas do ES. E, fui Presidente da Cooperativa dos Metalúrgicos entre 1963 e 1966, quando os militares, promoveram minha demissão da Cia. Ferro e Aço de Vitória e da Cooperativa, por subversão, por sinal nunca comprovada...

Abro um parêntesis para explicar esta expressão “jurista da classe operária”. Na década de 1920. havia um marxista austríaco chamado Karl Kautsky. Este cidadão disse que o termo "intelectual" era o que deveria ser aplicado a aqueles que passaram pela Academia, diria eu, que tiraram a poeira dos bancos das faculdades. Já os teóricos do Movimento Operário e Comunista que, jamais passaram pelas academias, nem pelas calçadas delas, como é o meu caso, seriam os "teóricos da classe operária".

Assim, por escrever algumas mal traçadas linhas sobre teoria e prática do Movimento Operário e Comunista, e, pelo fato de haver estudado a fundo a legislação trabalhista brasileira, por uma decisão de assembleia do citado Sindicato dos Metalúrgicos, o qual não podia pagar advogado, lá atrás, anos passados, um companheiro de quem não me recordo o nome, dado meus conhecimentos de legislação trabalhista, segundo ele, comparáveis ao de advogado, chamou-me, parafraseando Kautsky, de "jurista da classe operária". Na prática, digamos, o conhecido “rábula”.

Abrindo outro parêntesis :Mas vim pra São Paulo, como todo mundo, em busca de trabalho e ainda porque aqui se concentrava o maior contingente da classe operária no Brasil, logo, o lugar ideal para a luta pelo socialismo em nossa pátria e no mundo.

Chegando aqui, fiz logo amizade com o companheiro Peninha, apelido que ganhou dos torturadores da Oban. E o companheiro empenhou-se valentemente para conseguir-me um emprego.



E nessa luta apresentou-me ao companheiro Yuktaka Mito (foto ao lado) que perguntou-me se queria montar um escritório de contabilidade, Respondi que sim, mas não tinha grana para tanto. Então ele disse mas eu tenho e arranjou uma mesa e colocou-me no escritório de advocacia de Annibal Fernandes então o maior advogado previdenciário do Brasil e destacado internacionalmente. E lá nascu a Asteca.

Com tudo isso somado, ou seja, a prática política e sindical de tantos anos, aliada ao trabalho de assessoria e consultoria desenvolvido nos últimos 41 anos, no meio sindical e do movimento popular, pudemos amealhar um rico baú de prática e conhecimento teóricos que nos dá suporte para assessorar os companheiros sindicalistas em suas lides, os dirigentes de entidades do movimento popular, das cooperativas de trabalhadores, e aos dirigentes daquilo que se convencionou chamar de Terceiro Setor.

Portanto, companheiros, nós aqui da Asteca somos trabalhadores de uma das poucas empresas especializadas no ramo político-sindical, em nível nacional. A Asteca possui clientes em vários estados da Federação, e dos mais variados tipos. E temos orgulho disso. Temos orgulho de determos um cabedal de conhecimentos teóricos e práticos que nos possibilita atender a clientela e aos amigos, com segurança, profundidade de saber, e honestidade intelectual acima de tudo. Quando não sabemos algo, temos a coragem política de dizer ao cliente ou ao consulente: "isto eu não sei, mas, vou pesquisar a responder no prazo mais breve possível". Ou seja, de maneira alguma enganamos nossos inquiridores.

De posse desse arsenal angariado ao longo de 35 anos de lutas podemos, preparar sua contabilidade; atender as necessidades da área de pessoal, fazendo a Folha, por exemplo, e dando as orientações pertinentes; e, o que é o mais importante, termos as respostas certas para todos seus questionamentos. Além disso, atuamos, ainda, na área de assessoria e consultoria, tirando suas dúvidas sobre problemas contábeis, problemas trabalhistas e previdenciários, problemas da legislação fiscal, da legislação sindical, e políticos. Político aqui, entendido como a política dos trabalhadores, e não a partidária.

E ainda, temos por costume respeitar a todos, independentemente de suas convicções políticas, partidárias, sindicais, religiosas, etc. Praticar a democracia, em qualquer campo, inclusive no trabalho, passa pelo respeito aos cidadãos e seus direitos de escolha.

Finalizando, gostaríamos de pedir sua atenção para o que vivemos no momento atual. Existe aí um Governo que não morre de amores pelo Movimento Sindical e Popular. Propõe a fiscalização das entidades sindicais pelo TCU. Porque, não sei, posto que, essas entidades não são mais atreladas ao Ministério do Trabalho como durante s Ditadura anterior, a de 64, pelo menos, ainda não.

Além disso, a partir do exercício de 2015 os livros Diário e Razão terão de ser encaminhados integralmente, e on line à Secretaria da Receita Federal. Se um Auditor fizer uma inquirição e não gostar de sua resposta, poderá decretar Fiscalização para os últimos 5 anos! Aí, é como costumo dizer, ele atira no que viu e mata o que não viu.

Portanto, nessas condições, sugerimos aos amigos leitores consultarem a fundo seus contabilistas, e, “não sentindo firmeza”, procurarem algum profissional com conhecimentos e experiência suficientes para que sua entidade “não fique pendurada na brocha”...

Eis aqui e em resumo a nossa história e de como nasceu a Asteca.

Aqui na Asteca, na Rua Dr. Costa Júnior 241, Água Branca, São Paulo, fones 11 3673-4855 e 11 97264-3021, estaremos a sua disposição. Se desejar visitar-nos, conhecer nossas instalações, e trocar ideias, além de saborear um bom cafezinho expresso, não se faça de rogado, venha conversar conosco. Pode estar certo que, independente de viés comercial, todos ganharemos com isso.
Zé Augusto

Asteca Contabilidade, Assessoria e Consultoria

terça-feira, 12 de maio de 2026

Leila Diniiz


Pesquisar a vida da Leila Diniz me fez escrever com o estômago em chamas...
Porque toda vez que eu mergulho nesses fragmentos do nosso passado, eu fico imaginando aqueles generais da ditadura de 64, de farda engomada, medalha brilhando no peito, mas alma mofada por dentro, espumando nos cantos da boca, berrando suas ordens... Eu quase consigo vê-los ali, mascando ódio como quem mastiga tabaco barato, encarando a televisão com aquele olhar de quem não suporta o próprio desejo, de quem não tolera a própria rigidez, de quem só sabe viver pela régua do castigo. Homens iguais, roupas iguais, pensamentos iguais. Esse povo que confundiu moral com repressão, ordem com mutilação, poder com medo. E contra eles… uma mulher. Uma mulher linda, livre, luminosa. Uma mulher que ousou existir sem pedir licença. Uma mulher que dizia o que queria, amava quem queria, vivia como queria. E era isso que mais corroía aqueles homens empoeirados de mente, esses velhos de espírito que vivem presos dentro de si mesmos. Porque no fundo, toda ditadura tem pavor do que não consegue controlar. E Leila Diniz era incontrolável. Eu comecei essa pesquisa achando que ia falar sobre escândalo. Mas terminei entendendo que o que Leila fez foi expor a hipocrisia inteira de um país que sempre castigou mulheres por existirem. Ela não foi o problema. Ela foi o espelho.

Leila nasceu em 1945, no Rio de Janeiro, em um lar onde liberdade era semente. O pai, Nelson Diniz, era militante de esquerda, funcionário público e comunista convicto. A mãe, professora, acreditava na autonomia da filha. Era uma casa onde ideias circulavam, onde mulher não era subcategoria humana, onde se discutia política no almoço e literatura no jantar. Leila cresceu ouvindo que podia falar, podia discordar, podia existir inteira. E quando uma menina cresce assim num país que espera silêncio, ela vira um problema desde cedo.
Começou a trabalhar cedo também. Deu aula em escola infantil, foi babá, entrou no teatro amador. Aos 17 anos já tentava carreira de atriz. Não tinha plano perfeito, nem disciplina fantasiosa. Tinha talento, espontaneidade e uma naturalidade no corpo que o Brasil não sabia como interpretar. Muito antes de virar símbolo sexual, Leila já era símbolo de liberdade.
O país entrou na ditadura militar em 1964. Censura, vigilância, tortura, medo. A moral oficial do regime era um moralismo plástico, sujo, paranoico, moldado por homens que tinham horror ao que não podiam domar. E no meio dessa paisagem cinza, Leila brilhava em tecnicolor. Em 1966 entrou para a TV Globo e rapidamente se tornou uma das atrizes mais carismáticas do país. Mas foi fora das novelas que ela balançou o regime.
Em 1969, Leila deu a famosa entrevista ao jornal O Pasquim. Uma entrevista que, sozinha, virou terremoto cultural. Falou sobre amor, sobre prazer, sobre autonomia, sobre vida sexual, sobre maternidade, sobre ser mulher. E foi ali que ela disse a frase que virou estilhaço na janela do regime: “Você pode amar uma pessoa e ir para a cama com outra? Já aconteceu comigo.” Essa frase, simples e honesta, mexeu mais com os generais do que qualquer panfleto político. A ditadura militar pirou. Não é exagero. Pirou de verdade.
A raiva foi tanta que o governo sentou sua bunda pesada sobre a Constituição e publicou o Decreto-Lei 1077, em janeiro de 1970. Um decreto que ficou conhecido como o AI-5 da Cultura. Um instrumento jurídico feito especificamente para censurar publicações contrárias à moral e aos bons costumes. E tudo porque uma mulher teve coragem de dizer a verdade sobre si mesma. Uma mulher que falava o que queria, porque nunca foi criada para ter medo de homem armado.
E aí veio o episódio que eternizou o nome dela. Em 1971, grávida de sete meses, foi à praia de biquíni. E o Brasil inteiro entrou em colapso moral. As fotos rodaram o país. A imprensa caiu matando. Os moralistas tiveram síncope. Os generais espumaram pela boca com mais intensidade do que você imagina. Leila virou símbolo de decadência para uns, símbolo de libertação para outros. Mas o mais bonito é que ela nunca quis ser símbolo de nada. Ela só estava vivendo. Vivendo com o corpo que era dela. Vivendo a gravidez como um ato de amor e não como objeto de pudor. Vivendo sem pedir permissão a nenhum velho mofado que achava que mulher grávida tinha que se esconder atrás de cortina.
Pagou caro por isso. A TV Globo a demitiu sob o pretexto de que seu comportamento “não combinava com a imagem da emissora”. E quem a acolheu foi a TV Tupi, onde continuou trabalhando com brilho e irreverência. A verdade é que Leila Diniz foi punida por existir. Não por ato político explícito, mas por ser uma mulher inteira em um país acostumado a quebrar mulheres em pedaços.
No cinema, fez papéis marcantes. Em Asfalto Selvagem, em Todas as Mulheres do Mundo, em Por Um Amor em Veneza. Era magnética, engraçada, espontânea, intensa. Alguns críticos diziam que Leila não interpretava. Ela acontecia. E é impossível discordar. Leila tinha o tipo de presença que não se aprende em escola. Era vida transbordando.
Em 1972, Leila viajou para a Austrália para um trabalho. Na volta, O voo Japan Airlines 471 caiu antes do pouso. Ela tinha 27 anos. Vinte e sete. A morte dela foi uma facada no país. Veja só você, a hipocrisia. Foi como se alguém tivesse apagado uma lâmpada que iluminava um buraco escuro da nossa moralidade. O Brasil chorou. Porque só quando uma mulher livre morre é que o país percebe o silêncio que sempre quis impor a ela.
E aí volto a pensar no que somos hoje. No quanto ainda repetimos a mesma lógica da ditadura, só que agora com celular na mão. No quanto ainda temos gente indignada com a liberdade alheia. Mas não é todo mundo. É um grupo específico. É sempre essa mesma fauna de conservadores ressentidos, como disse Fernanda Lima, esses sujeitos empoeirados de alma, mofados por dentro, agarrados ao passado com medo do próprio desejo. Eles envelhecem no corpo. Envelhecem no espírito. São os velhos de mente, que espumam na internet porque não suportam que o mundo gire sem pedir autorização a eles.
Leila Diniz foi o avesso disso. O anti-mofado, o anti-recalque, o anti-silêncio. E seu corpo, sua voz, sua alegria e sua coragem abriram portas que ninguém mais conseguiu fechar. Ela incomodou porque era livre. E liberdade, quando vivida sem medo, tem o péssimo hábito de revelar todas as prisões alheias.
Leila viveu pouco. Mas viveu mais do que muita gente que vive um século inteiro acorrentado dentro de si. Ela foi mulher num país que não sabe amar mulheres. Ela foi livre num país que tem medo da liberdade. Ela foi verdade num país que idolatra aparência. E por isso contar sua história importa. Porque o país que tentou calá-la é o mesmo país que hoje precisa ouvi-la.
Leila Diniz não foi escândalo.
Leila Diniz não foi exagero.
Leila Diniz foi vida.
E isso sempre será maior do que qualquer ditadura.

ASTECA Contabilidade e Assessoria

terça-feira, 28 de abril de 2026

Nino e São Jorge Guerreiro

José Edemundo Alves da Silva, foi irmão do Valdo, pessoa alegre e um ótimo amigo.

Era um santo, claro que não. Como todo mundo tinha defeitos. Mas quem não os tem?
Todos temos. Mas o importante é que seus acertos eram maiores que seus erros.
Certo dia plantou em meu quintal mudas da planta "Babosa" que não lembro o porque, mas mantenho lá como lembrança dele até hoje.
Por isso, ouso afirmar que meu querido amigo era um cara bom.


"Hoje, 23 de abril,u  além de ser o dia consagrado a São Jorge, também é a data em que o meu irmão Nino completaria 84 anos. Infelizmente, sua vida foi cortada muito antes do tempo.

Restou a saudade e as muitas recordações. 

Continuará sempre vivendo na nossa memória."

Mensagem de Edwaldo Alves da Silva

Irmão do Nino

Asteca Contablidade e Assessoria

Zé Augusto