Parece ótimo que a inflação esteja sob controle. Aliás, em todo lugar que o neoliberalismo é aplicado a inflação fica, rigorosamente, sob controle. Muito bom, não é?
Vejamos o que disse um trabalhador de Santa Catarina, entrevistado por um jornalista, suponho seja da Folha, mas, talvez a memória me traia. Ao responder se ele estava satisfeito com a inflação sob controle, falou que sim, que isso era ótimo. Mas, de que valia para ele se estava desempregado? Preferia, disse, a inflação, porém com ele empregado.
Pois é, o Brasil em um ano subiu de 3% para 13% o número de desempregados. Mais cerca de 4 milhões de trabalhadores sem emprego.
Aqui está a "mágica" do Temer e seu grupo de golpistas. Quem está desempregado, digamos o Francisco, reduz a quase zero o seu nível de consumo. Consegue comprar apenas o estritamente necessário ou nem isso. Se ele não compra, a procura por mercadoria cai. Se forem mais de 4 milhões que chegam à situação do Francisco, os comerciantes são forçados a baixar os preços para conseguirem desovar seu estoque, ao mesmo tempo em que reduzem seus pedidos às fábricas ou atacadistas, ou até os cancelam.
Se os fregueses diminuem o que ele faz? Manda embora os empregados que ficaram um tanto ociosos e joga o trabalho deles nas costas dos que ainda não foram demitidos. E eles, agradecidos por ainda terem o emprego, aceitam sorrindo o excesso de carga...
Os atacadistas ou fabricantes fazem o mesmo. Mandam embora os empregados que estariam "sobrando".
Assim, vemos que o desemprego gera desemprego numa espiral sem fim.
Mas, tem mais. Quem consegue se manter no emprego nesta fase inicial também reduz o consumo para fazer uma poupançazinha. Quem sabe a vez dele não chegará? E claro que vai chegar mais trade. Com medo do desemprego ele aceita não ter aumento o que diminui seu poder de compra e de consumo.
Isso acontece com os trabalhadores do comércio, da indústria, dos serviços...
Quanto maior o exército de desempregados mais abaixam os salários. A fila deles nas portas das empresas desencoraja qualquer pedido de aumento, qualquer greve, qualquer tipo de luta por melhoria. O consumo desaba e o desemprego segue crescendo.
Esse é o "milagre" do controle da inflação sob o desemprego.
E quem ganha com tudo isso?
Os Banqueiros, os rentistas, eles ganham porque o valor dos seus ativos financeiros baixa pouco, pois a inflação é baixa, e assim, auferem rendimentos mais altos, também, porque a inflação é baixa.
E os trabalhadores? Ah, esses ganham de montão: fome, miséria, doenças falta de assistência médica, residências cada vez piores, escolas da pior qualidade, nível de vida pra lá de Marrakesh...
José Augusto Azeredo
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