29/08/2017
Quando se estuda o marxismo, não se pode deixar de considerar a sua natureza moral. Claro, ele é ciência social. Mas é um humanismo e, como tal, é moral.
E, quanto ao humanismo, gostaria de lembrar um “racismo” que me causa muita espécie.
Sim, eu acho que há alguma coisa de racismo nas atitudes dos japoneses e chineses, quanto à forma como se consideram.
Ou se desconsideram, como mais me parece, ocidental.
Há, coincidentemente, outros motivos para uma aparente antipatia, entre uns e outros, quando mal os consigo distinguir entre si.
Uma é, certamente, o fato de o Japão ser uma ilha, enquanto a China é um continente. Lembrando Formosa, também, há aí algumas diferenças devido ao caráter geográfico.
Outro motivo é o econômico -político, quando então nos voltamos para a história do Oriente e nos vemos às voltas com a diferenças de... classes?
É que, com disse alguém, “a história é história da luta de classes”, aqui ou na China !
Mais do que isso, o Japão tem em sua história uma marca insuperável, e não é de valores do capital financeiro.
Foi o único local em que se exercitou o valor de uso das armas nucleares, sobre duas cidades com grandes perdas da população civil.
O Japão foi bombardeado pelos EUA por vários motivos, inclusive para dissuadir a URSS no início da guerra-fria e, talvez, já desenvolvendo a logística do... capital, para levar o país à rendição final.
O olhar retrospectivo nos surpreende pelo que se seguiu, e segue, qual seja a atitude de inexplicável aliança entre o capital e o Japão.
Pacifista, não cogita do revolucionário, uma vez que o revolucionário não é pacifista. Apenas a sua logística é outra que a do capital ! Esta nos encaminharia a perdas e danos colaterais infinitos, enquanto que, na revolução socialista, eles tenderiam a zero.
E a revolução permanente, por definitiva, iria além da alternativa do “socialismo ou barbárie” a um mundo melhor e mais feliz!
Pois, lá nos mares do Oriente, nem se pensa no Japão que não seja o fiel aliado dos EUA e do seu capital-nacional-transnacional a virar o mundo.
Só recentemente é que se publicou algo nos jornais sobre o Japão pensar em armas e armas atômicas.
Mas para que? O seu grande aliado os EUA e o seu capital o defenderia em caso de necessidade contra quem quer que seja, inclusive de ataques de chineses e coreanos do norte.
O Japão tornou-se algo Ocidental, inclusive culturalmente.
Assim, diante de quaisquer assomos socialistas na região e comandado pelo seu assessor local do capital, vai se colocar, infalivelmente, mas não tão compreensivelmente, ao lado dos EUA e do capital.
Como se o Japão não se tivesse reerguido em seu orgulho e reconquistado o direito à soberania após o duplo golpe de Hiroxima e Nagazaki.
E eis, que o líder norte coreano, também um oriental, envia um míssil transcontinental e ele voa e revoa passando pelos céus do Japão – sem ser interceptado!
Um fato meramente casual e desimportante, o Japão é Ocidente, ninguém dá importância ao que houve.
Mas o gesto pode ter sido tímido, sem deixar de ser estratégico. E se ele for uma senha do Japão profundo, inconsciente e insabido? Se a ilha se torna uma esfinge, mais do que indecifráveis ideogramas.
O racismo é um truque do capital, que tem dado bons resultados entre os semitas. Como se odeiam! E os orientais, ditos de “sangue amarelo” ? Odeiam-se, também ! Não parecem saber do humanismo !
O pacifismo do Japão vai se tornando contraditório. E os mísseis da revolução não são interceptados.
Se é que ainda há ideologia.
Finalmente, quero lembrar que não sou belicista. Os EUA sempre podem optar pelo melhor se socializando. Por que não ?
Seria assim ?
Fernando Neto
Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro
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