11/09/2017
Após a implicação natural de ser educado pela burguesia, adquiri consciência social pelo sofrimento determinado por uma dura contradição familiar.
Já na distensão, procurando reconstruir minha vida, notei que não basta ter consciência social, é preciso optar. E eu, na medida em que estudava os clássicos da economia política, optei pela esquerda e a sua forma de ver a história, de fazer história, de avaliar desempenhos históricos.
Já tenho, há cerca de mais de vinte anos, duas filiações à esquerda e, com a Internet e o seu desafio existencial, procuro fazer o que posso, lendo e escrevendo.
A palavra que me ocorre no momento é a de quem já leu alguma coisa e viveu outro tanto.
Entendo que estamos na coincidência entre os limites absolutos do capital em acumulação a virar o mundo, o equilíbrio nuclear e o desequilíbrio ecológico.
Obviamente, como socialista, não posso deixar de pensar em todas as classes sociais, e não em outras minorias. Então, socialismo “first”!, estou a patinar no tempo exasperante de nosso dias, mas com ótimas intenções e sem perder a esperança.
Contudo, percebo o quanto é necessária a socialização dos EUA, para a pacificação do mundo e um futuro melhor.
O meu “catastrofismo” não tem pretensões de onipotência narcísica. De fato, como os EUA, ainda mais com o último presidente eleito, parece infinitamente longe do socialismo!
Como qualquer assomo dos operários e camponeses foi extirpado de seu território em longos e longos anos!. Tempo em que, a meu ver, o povo se afastou do proto-socialismo que eu pretendo encontrar nos pais fundadores da pátria.
Qualquer esforço externo pela socialização dos EUA, parece que fortalece a sua alienação da revolução norte-americana tornando-a uma impossibilidade.
Ao contrário, o capital nacional-transnacional, sediado lá, está cercando a Rússia e a China, onde os últimos territórios de tradição socialista.
Não se trataria, porém, de chantagem admitir como preço desse “fim da história”, com assessores locais em Moscou e Pekim, agora ou com mais adiamentos, a barbárie antecipada por Rosa
Luxemburg ainda em crises de superprodução e militarismo.
Os marxistas de hoje, que são espíritos humanistas, já consideram desde os anos 70 a crise estrutural única, com características gerais, globais, irreversíveis, acíclicas e rastejantes.
A minha palavra é atualidade, é hoje, é agora. Eu posso estar errado ? Claro, não desconsidero isso.
Mas não só estou em boa companhia, como posso estar certo e compete a todos nós apontar a solução : socializar globalmente, inclusive os EUA. Exigir de quem pode salvar o mundo a revolução socialista onde ela é menos provável. Embora, como disse, seja lá, de seu proletariado e campesinato, que ela deveria vir! Não da Rússia dos czares de então... Falta-lhe voluntarismo? Não se percebe que à guerra de mercado já se opõe à resistência revolucionária ? Não há mais “espaço” para uma 3 ª guerra mundial ! Ocorre-me a 1ª Internacional que antes de ser dissolvida foi ironicamente transferida para os EUA. E lá se dissolveu.
Parece impossível, mas, se há solução, ela seria a socialização global liderada pelos EUA. Ela pacificaria o planeta e nos dirigiria para um melhor horizonte.
Apenas uma palavra : socialização.
Não seria assim ?
Fernando Neto
Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro
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