quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coluna do Fernando Neto : A CRISE DOS MÍSSEIS E A DA CORÉIA DO NORTE

13/09/2017

As observações de Graham Allinson sobre o confronto dos EUA com a Coréia do Norte, cotejando-o com o que houve em Cuba, é de certa importância. 

Porque as motivações para tais belicosidades e os locais onde se operaram devem ser bem considerados.

Cuba encontra-se na América, onde os EUA não admitem quaisquer instalações do “inimigo”. Mas exige da Coréia do Norte, isto é, da China e da Rússia, que admitam lá, em suas fronteiras do leste europeu e da Coréia do Norte, mísseis e mais mísseis assentados voltados para elas. E os multiplica, enquanto os afirma escudos defensivos. 

A partir daí, quem é que ataca e quem se defende, afinal ? 

Se nos reportarmos aos conceitos de acumulação do capital, destrutiva e militarizada, a virar o mundo provavelmente quem “ataca” é o capital nacional-transnacional em sua expansão incontrolada ! 

O capital dos EUA, principalmente, do qual o seu complexo industrial-militar é o braço armado. 

Até Gorbachev, ainda se podia pensar em certa expansão do socialista como vestígio da III Internacional. 

Mas, no momento, o que existiria é o capital nacional-transnacional dos países mais ricos a cercar os tradicionalmente socialistas, para ver se colocam no poder assessores locais do livre mercado. 

E a Coréia do Norte exprimiria apenas uma estratégia defensiva da China e da Rússia. 

Nesse momento histórico é que nos cabe pensar sobre o papel do socialista, o seu desempenho, o seu protagonismo. 

Aparentemente, um conflito nuclear se inclinaria à “vitória” do Estado capitalista; isto é, pela política das canhoneiras, ele estaria mais bem armado que os seus sitiados adversários. 

Contudo, o fato da China e da Rússia estarem também armados, mesmo que menos que ele, induz a retaliação seria tão destrutiva que imporia imediatamente a concepção de barbárie.

Uma salva de mísseis dificulta a interceptação de alguns que passam pelos escudos e seguem o seu caminho. 

Em xadrez tal estado de coisas caracterizaria um empate! Sempre lembrando que é capital que está atacando devido ao seu progresso descontrolado pelo mundo em busca de lucros máximos e imediatos. 

O que ocorreria pela política das canhoneiras em se dando um empate?

O capital faria a paz, mas adiando a guerra. Não perceberia a “janela” aberta para a socialização, enquanto a saída definitiva do problema mundial. 

Porque, tanto a crise do mísseis em Cuba, como agora a crise dos mísseis lá na Coréia do Norte, são “janelas” para o ajuste de contas do antagonismo entre capital e trabalho. 

A guerra pode se iniciar com armas convencionais e, depois, ir escalando as de destruição em massa. 

Temo que aqui o marxista é a voz que clama no deserto! Nas palavras de István Meszáros no seu livrinho “ Século XXI, socialismo ou barbárie”- no qual previu tudo isso! – escreve : 

(...) O futuro do socialismo será decidido nos Estados Unidos, por mais pessimista que isso possa parecer. (...)Ou o socialismo se afirma universalmente e de forma a incorporar todas as áreas, inclusive as áreas de capitalismo mais desenvolvidas do mundo, ou estará condenado ao fracasso(...) 

E, de fato, caso se atualize a alternativa de Rosa Luxemburg, estando nós, os 7 bilhões “first”, na coincidência do limite absoluto da expansão do livre mercado, no limite absoluto do equilíbrio nuclear e no limite absoluto do desequilíbrio ecológico, tudo junto!, caberia à hegemonia global do capital a crítica necessária e a posterior socialização global. 

A partir daí, sim, seria possível prosseguir no bom caminho do humanismo universal. Por que a rendição do livre mercado ao socialismo, seria uma vitória para todos nós. 

A crise de que fala Graham Allinson, agora estudada por Mészáros, vai além do que já angustiava Rosa. É acíclica, geral, global, irreversível, rastejante. 

Cerca materialmente a Coréia, porque o Estado tampão já na fronteira com a China e a Rússia. 

Se queremos o desarmamento global e a paz, é necessário que os EUA se socializem!

Que os jogadores de xadrez empatados o admitam e não empurrem no chão o tabuleiro. Graham? 


Não seria assim?



Fernando Neto

Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro

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