19/09/2017
Se pudéssemos encarar a corrupção como um fenômeno, colocando-a entre parêntesis, procurando vê-la como se uma primeira vez, talvez compreendêssemos melhor o que ela é.
Uma definição, eu a tenho: corrupção é algo que vai das mais-valias interna e
externa às aventuras do capital financeiro.
Mas ela se dá em torno do dinheiro, que se faz capital. Então, pode-se referir a corrupção à distribuição do capital.
O sonho socialista em seus níveis mais elevados propõe o “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo as suas necessidades.”
A distribuição dos valores no capital não contempla tais exigências. Nem mesmo o “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo o seu trabalho”.
A corrupção, então, pode também ser definida como a distância entre a distribuição dos valores de algo que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro, até o que deveria ser “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo às suas necessidades”.
Há desigualdade social. A expansão do livre mercado acumula e concentra o capital, de modo que a anarquia de mercado torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
A virtude do marxismo, enquanto um humanismo, é desenvolver economia social.
Evoquemos o PT chegando pela primeira vez ao governo. Ele provavelmente não sabia o que lhe esperava. É que o capital persiste no poder, a despeito da democracia.
Como tal, a corrupção, também, que lhe é inerente. Procurando intuir o que aconteceu temo que o projeto virtuoso de poder da programática partidária se chocou com a realidade de uma engrenagem em que as reformas em perspectiva, nem mesmo elas, quanto mais a revolução, puderam ser feitas.
O governo colhe os impostos e ele deve beneficiar o povo. Agora mesmo, com a descoberta do pré-sal pensou-se em dirigir os lucros para à educação e à saúde.
O simples conceito de distribuição de renda, quando em desigualdade social, significa um fluxo que vai dos mais ricos para os mais pobres, assim como n”O Banquete” a riqueza de Pórus fluía para “Pênia”.
Parece simples, mas não é. O dinheiro, administrado pelo capital, torna-se uma arma de destruição em massa!
Não só falta a quem necessita dele, como financia a corrupção. A mesma que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro.
O dinheiro da corrupção, da “corrupção aberta”, diria Lukács, é como o cimento entre os tijolos de uma edificação.
É o catalizador da injustiça social a se nutrir das chantagens das propinas que azeitam a máquina das trocas venais.
Sistema instituído ao arrepio da lei, mantém-se perversa tradição e arrebata as consciências a automatismos indesejados.
Sempre existirá, mas tem de ser combatido e minimizado.
Ao chegar ao governo, o PT se propunha dividir o bolo enquanto ele crescia. Havendo dinheiro ele devia ir para o social, quer para as classes mais pobres, quer para o partido das classes mais pobres e trabalhadoras da cidade e do campo.
Desviar o dinheiro para o partido dos excluídos, seria diferente de desviá-lo para o partido dos capitalistas. Os quais sempre se notabilizariam por fazê-lo e sem qualquer justificativa que não enriquecer a si e aos seus.
O caixa-dois dos capitalistas, ao concorrer com o caixa-dois dos trabalhistas, seria como Pórus a sugar o sangue de Pênia...
Eis os dinheiros enquanto armas que se defrontam e vão parar igualmente na justiça que se atém à legalidade a qualquer custo e não fornece, a uns e outros, o tratamento merecido.
Claro, não há que embolsar individualmente o dinheiro público, exceto quando se trate de dinheiro de campanha.
O ideal de honestidade burguesa, porém, apenas esmola aos proletariado e campesinato o mínimo necessário, quando o faz.
Eis a épica da nossa corrupção intuída através de percepções inusitadas onde se conclui da prestidigitação do dinheiro-arma, do dinheiro paralelo, silente moeda de sangue, afinal.
A lógica do capital promove tal arma e, paradoxalmente, a pune através das instituições, quando nas mãos da esquerda.
Um peso e uma medida que seriam injustos, desde a programática diversa, até estrutural, os militares de antanho a dizerem "subversiva".
O difícil é sair do círculo vicioso. Mas se lembrarmos a época das expropriações durante a ditadura, quando o antagonismo capital e trabalho desconstruíra o regime legal, a justiça se fazia mais... claramente.
E logo voltamos ao que Walter Benjamin chama o “estado de exceção”, em sua habitualidade. Embora combater a ditadura não seja exatamente fazer a revolução socialista, sempre se viam as coisas com maior clareza.
A distribuição de grandes somas há de afetar de forma bem diversa o olhar dos homens. Uns, logo pensam nos outros que necessitam vorazmente dele; outros, coçam os bolsos e sonham com entesouramentos nos paraísos fiscais.
O dinheiro pode ser uma arma. Uma mediação financiada pelo capital em seu próprio interesse.
Não seria assim ?
Mas ela se dá em torno do dinheiro, que se faz capital. Então, pode-se referir a corrupção à distribuição do capital.
O sonho socialista em seus níveis mais elevados propõe o “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo as suas necessidades.”
A distribuição dos valores no capital não contempla tais exigências. Nem mesmo o “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo o seu trabalho”.
A corrupção, então, pode também ser definida como a distância entre a distribuição dos valores de algo que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro, até o que deveria ser “de cada um segundo as suas capacidades, a cada qual segundo às suas necessidades”.
Há desigualdade social. A expansão do livre mercado acumula e concentra o capital, de modo que a anarquia de mercado torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
A virtude do marxismo, enquanto um humanismo, é desenvolver economia social.
Evoquemos o PT chegando pela primeira vez ao governo. Ele provavelmente não sabia o que lhe esperava. É que o capital persiste no poder, a despeito da democracia.
Como tal, a corrupção, também, que lhe é inerente. Procurando intuir o que aconteceu temo que o projeto virtuoso de poder da programática partidária se chocou com a realidade de uma engrenagem em que as reformas em perspectiva, nem mesmo elas, quanto mais a revolução, puderam ser feitas.
O governo colhe os impostos e ele deve beneficiar o povo. Agora mesmo, com a descoberta do pré-sal pensou-se em dirigir os lucros para à educação e à saúde.
O simples conceito de distribuição de renda, quando em desigualdade social, significa um fluxo que vai dos mais ricos para os mais pobres, assim como n”O Banquete” a riqueza de Pórus fluía para “Pênia”.
Parece simples, mas não é. O dinheiro, administrado pelo capital, torna-se uma arma de destruição em massa!
Não só falta a quem necessita dele, como financia a corrupção. A mesma que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro.
O dinheiro da corrupção, da “corrupção aberta”, diria Lukács, é como o cimento entre os tijolos de uma edificação.
É o catalizador da injustiça social a se nutrir das chantagens das propinas que azeitam a máquina das trocas venais.
Sistema instituído ao arrepio da lei, mantém-se perversa tradição e arrebata as consciências a automatismos indesejados.
Sempre existirá, mas tem de ser combatido e minimizado.
Ao chegar ao governo, o PT se propunha dividir o bolo enquanto ele crescia. Havendo dinheiro ele devia ir para o social, quer para as classes mais pobres, quer para o partido das classes mais pobres e trabalhadoras da cidade e do campo.
Desviar o dinheiro para o partido dos excluídos, seria diferente de desviá-lo para o partido dos capitalistas. Os quais sempre se notabilizariam por fazê-lo e sem qualquer justificativa que não enriquecer a si e aos seus.
O caixa-dois dos capitalistas, ao concorrer com o caixa-dois dos trabalhistas, seria como Pórus a sugar o sangue de Pênia...
Eis os dinheiros enquanto armas que se defrontam e vão parar igualmente na justiça que se atém à legalidade a qualquer custo e não fornece, a uns e outros, o tratamento merecido.
Claro, não há que embolsar individualmente o dinheiro público, exceto quando se trate de dinheiro de campanha.
O ideal de honestidade burguesa, porém, apenas esmola aos proletariado e campesinato o mínimo necessário, quando o faz.
Eis a épica da nossa corrupção intuída através de percepções inusitadas onde se conclui da prestidigitação do dinheiro-arma, do dinheiro paralelo, silente moeda de sangue, afinal.
A lógica do capital promove tal arma e, paradoxalmente, a pune através das instituições, quando nas mãos da esquerda.
Um peso e uma medida que seriam injustos, desde a programática diversa, até estrutural, os militares de antanho a dizerem "subversiva".
O difícil é sair do círculo vicioso. Mas se lembrarmos a época das expropriações durante a ditadura, quando o antagonismo capital e trabalho desconstruíra o regime legal, a justiça se fazia mais... claramente.
E logo voltamos ao que Walter Benjamin chama o “estado de exceção”, em sua habitualidade. Embora combater a ditadura não seja exatamente fazer a revolução socialista, sempre se viam as coisas com maior clareza.
A distribuição de grandes somas há de afetar de forma bem diversa o olhar dos homens. Uns, logo pensam nos outros que necessitam vorazmente dele; outros, coçam os bolsos e sonham com entesouramentos nos paraísos fiscais.
O dinheiro pode ser uma arma. Uma mediação financiada pelo capital em seu próprio interesse.
Não seria assim ?
Fernando Neto
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