sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Coluna do Fernando Neto : UMA VISÃO DIFERENTE DA CRISE.



07/09/2017

Após ouvir as palavras de Palocci, já com 1 ano de prisão em regime fechado, contudo, não me iludo mais com o capital. 

O que ele transmite, e alguns o contestam através de seus advogados, é a existência da corrupção sistêmica, que só apareceu porque sob o governo do PT. 

A programática dele no governo, ao ensaiar o que outros partidos não fariam, determinou que o poder do capital, sempre infiltrado por todo o canto, passasse a conspirar contra a perspectivas de reformas estruturais e desse, mais uma vez, o clássico golpe. 

O monopólio da mídia do capital, na qualidade de 4º poder inconstitucional, sem qualquer regulamentação, funciona como o poder moderador do Império...

Tal mediação é catastrófica na medida que vai galantemente subvertendo os outros poderes e impondo os seus interesses. Todos precisam de informação e, como diz alguém, de formação...

O olímpico do “príncipe eletrônico” compromete a justiça em seu aspecto formal. Assistimos boquiabertos os mais profundos mergulhos no “juridiquês”, quando os juízes vão se atendo à “legalidade a qualquer custo”. Aqui, privilegia-se um conteúdo detalhadamente gratuito e com tendências à culpabilização da esquerda pelas suas virtudes. 

Encontramos isso em Franz Kafka, quando escreve “ O Processo” e, inconscientemente, aproxima as acusações imotivadas e absurdas ao que será mais tarde na Alemanha as leis genocidas de Nuremberg. A forma precede o conteúdo. 

A esquerda não pode ser julgada no cotejo com a direita do capital, porque não possui a mesma ordem jurídica que ele. “Ordem jurídica da burguesia” versus “ordens jurídicas do proletariado e do campesinato” ? 

Vence a lei do mais forte. No caso, do capital. 

Em meio à corrupção generalizada, sobe o governo do PT, tenta governar e governa. Mas não chega ao poder. Lá persiste o projeto criminoso do capital. 

Se varremos das nossas mentes o “juridiquês”, enquanto o conteúdo, resta uma forma que aponta na direção de outros culpados. 

Ontem ainda, ouvi de alguém essa pérola : 

“Precisamos do socialismo para resolver certas coisas, mas elas precisam ser resolvidas para que cheguemos ao socialismo”. 

Se pensarmos que entre tais coisas está a corrupção sistêmica, compreenderemos a dificuldade em eliminá-la. 

Mas sabemos que a democracia amadurece pelo exercício do voto. E que o voto se purifica pela boa educação política. O voto não ameaça a sociedade, apenas a beneficia. 

É como sair das crises sistêmicas. E fazer as reformas ! Programaticamente, o partido menos suscetível à corrupção é o PT ! Para ele, ela será, como penso, o que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro ! 

O que vemos ? Uma crise mundial que se reflete entre nós e que deseja ter no governo o assessor local do capital, não do trabalho. Requisita as riquezas do Brasil para eventuais enfrentamentos fora do continente. A descoberta do pré-sal nos tornou mais visíveis. E não se sublinha a relação profunda que há entre o que nos vem de fora. 

Palloci, provavelmente revoltado com a sua longa prisão, apresenta a narrativa do que tem sido sempre a política entre nós, não só nos governos do PT. 

Mas iniciar a punição dela pelo lado errado, formalmente errado, ideologicamente contraditório, a ponto de estar, mais uma vez, comprometendo a melhor representação popular, enquanto se acarinha o burguês e se posa de sócio-democrata para 2018 é muita desfaçatez. Querem “ficar” o homem e eleger o PSDB para manter a corrupção essencialmente capitalista, formal, invisível de tão grande ! 

Sempre com o PT !

Fernando Neto
PT RJ n º 1741303



* Termo de G.Lukács.



Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro

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