07/09/2017
Após ouvir as palavras de Palocci, já com 1 ano de prisão em regime fechado, contudo, não me iludo mais com o capital.
O que ele transmite, e alguns o contestam através de seus advogados, é a existência da corrupção sistêmica, que só apareceu porque sob o governo do PT.
A programática dele no governo, ao ensaiar o que outros partidos não fariam, determinou que o poder do capital, sempre infiltrado por todo o canto, passasse a conspirar contra a perspectivas de reformas estruturais e desse, mais uma vez, o clássico golpe.
O monopólio da mídia do capital, na qualidade de 4º poder inconstitucional, sem qualquer regulamentação, funciona como o poder moderador do Império...
Tal mediação é catastrófica na medida que vai galantemente subvertendo os outros poderes e impondo os seus interesses. Todos precisam de informação e, como diz alguém, de formação...
O olímpico do “príncipe eletrônico” compromete a justiça em seu aspecto formal. Assistimos boquiabertos os mais profundos mergulhos no “juridiquês”, quando os juízes vão se atendo à “legalidade a qualquer custo”. Aqui, privilegia-se um conteúdo detalhadamente gratuito e com tendências à culpabilização da esquerda pelas suas virtudes.
Encontramos isso em Franz Kafka, quando escreve “ O Processo” e, inconscientemente, aproxima as acusações imotivadas e absurdas ao que será mais tarde na Alemanha as leis genocidas de Nuremberg. A forma precede o conteúdo.
A esquerda não pode ser julgada no cotejo com a direita do capital, porque não possui a mesma ordem jurídica que ele. “Ordem jurídica da burguesia” versus “ordens jurídicas do proletariado e do campesinato” ?
Vence a lei do mais forte. No caso, do capital.
Em meio à corrupção generalizada, sobe o governo do PT, tenta governar e governa. Mas não chega ao poder. Lá persiste o projeto criminoso do capital.
Se varremos das nossas mentes o “juridiquês”, enquanto o conteúdo, resta uma forma que aponta na direção de outros culpados.
Ontem ainda, ouvi de alguém essa pérola :
“Precisamos do socialismo para resolver certas coisas, mas elas precisam ser resolvidas para que cheguemos ao socialismo”.
Se pensarmos que entre tais coisas está a corrupção sistêmica, compreenderemos a dificuldade em eliminá-la.
Mas sabemos que a democracia amadurece pelo exercício do voto. E que o voto se purifica pela boa educação política. O voto não ameaça a sociedade, apenas a beneficia.
É como sair das crises sistêmicas. E fazer as reformas ! Programaticamente, o partido menos suscetível à corrupção é o PT ! Para ele, ela será, como penso, o que vai das mais-valias interna e externa às aventuras do capital financeiro !
O que vemos ? Uma crise mundial que se reflete entre nós e que deseja ter no governo o assessor local do capital, não do trabalho. Requisita as riquezas do Brasil para eventuais enfrentamentos fora do continente. A descoberta do pré-sal nos tornou mais visíveis. E não se sublinha a relação profunda que há entre o que nos vem de fora.
Palloci, provavelmente revoltado com a sua longa prisão, apresenta a narrativa do que tem sido sempre a política entre nós, não só nos governos do PT.
Mas iniciar a punição dela pelo lado errado, formalmente errado, ideologicamente contraditório, a ponto de estar, mais uma vez, comprometendo a melhor representação popular, enquanto se acarinha o burguês e se posa de sócio-democrata para 2018 é muita desfaçatez. Querem “ficar” o homem e eleger o PSDB para manter a corrupção essencialmente capitalista, formal, invisível de tão grande !
Sempre com o PT !
Fernando Neto
PT RJ n º 1741303
* Termo de G.Lukács.
Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro
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