As provas da delação da JBS vem ou não valem?
POR FERNANDO BRITO · 08/09/2017
Atentem para algo muito importante nesta discussão sobre a validade ou não das provas colhidas a partir do depoimento dos delatores da JBS e das gravações que realizaram.
A cronologia.
A Folha revela que, num depoimento à Procuradoria Geral da República, o advogado e também delator da JBS, Francisco de Assis e Silva, diz que as negociações para a delação premiada de Joesley teriam começado no dia 20 de fevereiro.
No dia 23 daquele mês o procurador – e braço direito de Janot – pediu demissão do cargo, um emprego estável, bem pago e onde tinha posição de destaque.
A gravação em que Joesley Batista capturou seu diálogo com Michel Temer teria acontecido no dia 7 de março.
E o “papo de bebum” onde o dono do JBS e seu comparsa falam que Janot sabia de tudo, no dia 17 daquele mês.
Por que isso tem tanta importância e há um esforço imenso de Rodrigo Janot em dizer que a “negociação” começou apenas no final de março?
Porque se comprovado que as tratativas ocorreram antes da gravação do diálogo com Temer será impossível deixar de crer que a gravação foi dirigida pela PGR dentro de um acordo de delação premiada e, portanto, com a rescisão deste acordo, seria levada “de cambulhada”.
Daí o absurdo de que a investigação de tudo o que se passou nestes arranjos, onde o próprio Janot é mencionado como parte dos fatos fique a cargo de…Rodrigo Janot.
O paradoxo sobre quem vigia o vigia que a todos vigia, que andava por Curitiba, viajou para Brasília.
Tijolaço
Tijolaço

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