Para planejarmos a Previdência Social precisamos partir de uma perspectiva de um futuro que abranja um período mínimo de 30 a 50 anos, pelo menos.
Isto
significa imaginar as condições econômicas e sociais que venham a se desenhar
no horizonte, para sentirmos os tipos de proteção social e trabalhista que
possam vigorar, por exemplo, em 2060, 2090, ou sejam muito diferente das
baboseiras que lemos e ouvimos profusamente pela aí.
Um
planejamento bolado dessa forma só pode expressar um verdadeiro compromisso
solidário e inter gerações com todos, mesmo com a juventude que sequer entrou
no mercado de trabalho e ainda, com os que sequer nasceram. É isso que se chama
planejar o futuro. E qual seria o compromisso com o presente, com os que
dependem dela hoje?
Não
é nada fácil. Precisamos praticar um exercício de imaginação para tentar prever
em que condições o mundo do trabalho estará estruturado lá na frente, e qual
modificação poderá vir acontecer no caminho para lá. e, também, a dinâmica
econômica dessa trajetória temporal o que, convenhamos, não será coisa pequena
para se fazer.
O
que vem acontecendo em nosso tempo indica mudanças disruptivas no modo de
produção, que trarão profundas alterações no mundo do trabalho, nos empregos e
nas ocupações. As chamadas relações de produção, ou seja, as transformações que
se darão entre a atividade humana e a tecnologia, passarão por profundas
mudanças estruturais, muitas delas das quais agora nem somos capazes de fazer
ideia. A situação do momento indica a aceleração e expansão das inovações que
passam a ocupar múltiplas atividades laborais, substituindo muitas, criando
algumas.
Vivemos
a época das "deformas trabalhistas" por inciativas dos patronato
privado e público visando a máxima flexibilização nas formas de contratação, da
jornada de trabalho, da definição de salários e das condições de
trabalho.
O
assalariamento clássico estável, com capacidade contributiva, vem dando lugar
ao vínculo flexível instável, que tem baixa capacidade contributiva. A
produtividade aumenta e o desemprego torna-se, mais uma vez, estrutural.
É
o aprofundamento da insaciável apropriação burguesa dos frutos proporcionados
pela nova tecnologia para aumentar seus lucros ao infinito, e a concentração
cada vez maior da riqueza e da renda.
Nesse
mundo em mudança, a previdência social pública, solidária e de repartição
deverá ser financiada com novas formas de contribuição, deslocando grande parte
do financiamento, que atualmente vem da contribuição social sobre a folha
salarial, para outras formas de arrecadação tributária. Para financiar de
maneira sustentável uma das maiores despesas do orçamento público, uma reforma
consequente começaria por uma reforma tributária inovadora e estrutural –
ampla, progressiva e fundada na justiça e capacidade contributiva.
A
proteção que deveria ser buscada e construída, para financiar o futuro, teria
que almejar a garantia universal dos direitos dos idosos, assegurando a eles
dignidade econômica para sustentar a qualidade de vida na velhice.
Nosso
sistema de Previdência Social baseia-se no fato dos trabalhadores de hoje
sustentarem os trabalhadores de ontem, ou seja, os aposentados.
Se
os Governos aplicarem um plano econômico no qual o desemprego seja mínimo, ou
seja, que a maioria esmagadora dos trabalhadores tenham ocupação permanente ou
quase, que seus rendimentos sejam sempre ascendentes, acima da inflação como
aconteceu nos 12 anos de governos do PT, a Previdência Social não terá déficit
e, os aposentados, ao contrário de agora, não estarão ameaçados com o meio
salário mínimo do anterior governo ou menos.
Mas,
a Mídia, grande parte da intelectualidade, banqueiros e seus rentistas, as
camadas médias e outros babacas que defendem o lado de lá quando seus
interesses estão do lado de cá, seguindo as trombetas da rede Globo, não querem
isto.
Querem
jogar a Previdência, segundo eles deficitária, nas mãos dos banqueiros que
anseiam por ela. Pergunto por que os banqueiros estão ansiosos para pegar algo
deficitário, uma instituição falida?
Para
criarem novas CAPEMES e outras arapucas mais para vocês caírem nelas seus
trouxas, enquanto eles enchem suas burras com o rico dinheirinho dos
trabalhadores.
Se
queremos defender nossa aposentadorias agora e no futuro vamos assegurar o
sistema já comprovado do Brasil há mias de 70 anos!
Zé Augusto
Asteca Assessoria e Consultoria

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