Mesmo depois de décadas a gente precisa expressar a dor que carrega no coração.
Caro e querido camarada,
A gente se gosta a tanto tempo e nunca tivemos uma conversa profunda sobre nossas angústias e tristezas.
Nos reencontramos, depois das muitas porradas que levamos na vida, porque você vinha a São Paulo para o tratamento da sua Ludmila e ficava em casa. Nunca falávamos do seu sofrimento.
Alguma coisa nos brecava.
Tanto tempo depois vc se abre publicamente. A vida parece que escreve certo por linhas tortas.
Vc se casou novamente com uma mulher maravilhosa, minha Ludmila tornou-se uma mulher e mãe que me enche de orgulho. Vivi meus amores e hoje quatro filhas/o tornam minha velhice mais feliz. Estou preparado para o desconhecido.
Sei que a vida ajudou o diabo a amassar o pão que comemos.
Enfim, "cest la vie" , soubemos vivê-la e gasta-lá, não deixamos nada para depois.
Edwaldo Alves da Silva
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